partir
Suponhamos que eu sinta essa necessidade de partir. Mas não pra outra vida, até porque não sou muito fã de enterros, Só partir. E pronto. Sem nenhum destino específico, sem nenhum plano em mente, sem nenhum assunto mal resolvido, sem nenhuma bagagem, sem nenhuma recordação, sem dar nenhuma satisfação.
Sinto a necessidade cada vez mais forte de respirar novos ares, conhecer novos lugares, entender novas coisas, presenciar novos fatos. Creio que, ao menos uma vez na vida, todo mundo já sentiu isso. É mais ou menos como aquela vontade de querer assistir ao seu próprio enterro. A maioria queria poder saber quem iria sentir sua falta. Eu não. O que eu gostaria de saber mesmo, seria da forma com que as pessoas se lembrariam de mim.
Não há mais nada pra mim aqui. Pelo menos não por enquanto. Talvez quando eu voltar, e se eu voltar, quem sabe. Não vou querer uma despedida triste, muito menos uma recepção calorosa. Só vou querer andar calmamente por ruas das quais eu nunca tenha andado antes, sentindo a brisa leve dos ventos me saudarem, as luzes dos postes pairando sobre mim, e a dos carros vindo ao meu encontro. Não tenho nenhum motivo em especial que justifique minha partida, e nem preferência alguma pelo lugar pra onde vou.
Sou apenas eu, no meu individualismo de sempre, preferindo mudar de lugar, do que de identidade. Não tenho laços emocionais que me prendam onde estou. Não tenho uma corda pra me guiar no caminho aonde vou. Não tenho certeza de nada, sou um agente do acaso. E todo mundo sabe que quando não temos certeza de nada, a única certeza que temos é a de que precisamos partir. Pra nenhum destino específico, o lugar não importa. Só partir.
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