sábado, 7 de fevereiro de 2015 |

Lágrimas



Não precisamos chorar para demonstrar sentimentos. Da mesma forma, Não precisamos dizer a ninguém que não choramos.
As lágrimas não provam nada. E podem ser tão pretensiosas e inconstantes quanto as palavras. E quaisquer sentimentos que as provoquem, desde a compaixão até a felicidade, passando pela tristeza e ansiedade, até onde eu sei podem perfeitamente ser também manifestados por expressões faciais, o que não os inviabiliza quanto à veracidade nem a intensidade de sua manifestação.
Considerando-se que conter-se é algo, de fato, muito difícil, alguém que se atrever a dizer que não chora e em alguma ocasião derramar lágrimas involuntárias, cairá em contradição da mesma forma que as lágrimas cairão do seu rosto. O difícil será encontrar depois razões para o justificar.
Cabe a cada qual agir em conformidade com sua forma de demonstrar ou lamentar. Não dá pra comparar. Não dá pra julgar. Algumas pessoas que não choram lamentam até bem mais do que muitas que choram. Lágrimas podem insistir veementemente em escorrer pelo rosto. Mas também podem forçosamente ficar contidas nos olhos. Tudo o que resta é a avaliação dos motivos. Precisam ser, no mínimo, decentes. O fato é que existem pessoas que simplesmente não conseguem chorar. Outras conseguem se segurar. Questão de resistência. Talvez apelo. Ou penitência. Algumas bebem, outras lançam o olhar para o mais distante que conseguem. E se perdem. Sempre que podem.
Não se pode propagar o pensamento de que um homem necessite chorar para demonstrar. Como também o de que ele necessite se conter para se enquadrar, em padrões e perspectivas impostas por pessoas presunçosas. Existe um livre-arbítrio pra todas as coisas, assim como uma oposição pra todas elas também. Paremos de discorrer sobre o correr das lágrimas e procuremos saber lidar com toda e qualquer situação da forma que nos convier, da forma que nos aprouver.
Guardar tudo pra si e não chorar é algo extremamente difícil diante de tantos possíveis impactos emocionais, imprevisíveis e até letais, num mundo repleto de tantas crises existenciais e decepções passionais, de forma que, um homem que não chora, merece sim, com toda certeza e provavelmente até mais, ser chamado de homem.

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