sábado, 7 de fevereiro de 2015 |

monotomia


Você chega em casa do trabalho, acende a luz, fecha a porta, joga as chaves no sofá, e daí senta, ou vai em direção ao banheiro, ou a sacada, tira os sapatos, toma uma ducha, ou acende um cigarro. Revira a geladeira, liga o rádio, arruma a cama,põe algo pra descongelar, verifica a secretária eletrônica, abre envelopes, toma um café, liga a luz, apaga a luz.
Depois que a porta bate, aquele é o seu momento, o seu descanso, e ninguém tem o direito de não fazê-lo merecedor disso. É o seu seu monólogo, o seu apólogo inter ego. Terminado o ritual, você vai se deitar, olhar pro teto, suspirar e concluir que sua vida é uma merda. Em outros casos, umas lágrimas até viriam a calhar. Mas com você não, é inútil chorar. Você está só, e nem um lamento clichê com alguém você poderá compartilhar, apenas gritar. As paredes sempre se interessam por esse tipo de coisa. Seu chefe é um imbecil, seus pais são negligentes, seus irmãos são desordeiros, seus amigos são aproveitadores, sua ex-namorada é uma vagabunda, suas paqueras são bipolares, seu vizinho é um sortudo, sua vida é uma merda.
Ao seu ver, sua vida não passa de uma fétida, repugnante e desagradável M-E-R-D-A. Todos os dias as mesmas pessoas, os mesmos cumprimentos, os mesmos problemas, as mesmas dívidas, as mesmas teclas, as mesmas mentiras, os mesmos sorrisos falsos, as mesmas ambiguidades, os mesmos elogios, os mesmos lamentos. Tudo são lamentos em uma vida medíocre. A sua vida é medíocre, porque tudo nela são apenas inúteis e repugnantes lamentos.
A maior monotonia da sua vida são as suas infinitas reclamações.
Se ninguém sabe de tudo o que você realmente está passando, continue cuidando para que continuem não sabendo. Todo mundo tem um dia ruim, todo mundo já teve um dia ruim. Todo mundo já achou a sua vida uma merda assim que se jogou na cama e foi recapitular o seu dia assim que chegou do trabalho.

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