biblia
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão (e a honra).
1 Timóteo 6:10-11
1 Timóteo 6:10-11
Inversão de papéis em um dueto contraditório
Quando empreendemos uma regressão aos fatos históricos, tenham sido estes registrados em escritos, gravações, fotografias, ou quaisquer outros recursos, marcos e evidências que pudessem ser recolhidos e datados de acordo com seus respectivos meios da época, nos deparamos com uma infinidade de evoluções pelas quais a civilização humana foi submetida. Ressaltando alguns comportamentos de ambos os gêneros em épocas passadas, e os comparando com comportamentos da nossa realidade atual, as constatações são, no mínimo, assustadoras. Houve uma grave inversão comportamental no geral, inversão esta que não é justificável apenas pelas mudanças sofridas com o passar dos anos como já é de se esperar do mundo em que vivemos.
Essa tal inversão não se limitou apenas às mudanças de postura, fala, expectativas, ambições, rentabilidade, e outros comportamentos. Houve também uma mudança de valores, tornando as atitudes que eram de se esperar por parte de um dos gêneros como sendo retrógradas, e consequentemente tornando também as atitudes esperadas por parte do outro gênero como mais atrativas, adequadas e convenientes do que as anteriores para o outro gênero, desarmonizando, antagonizando, e desorientando assim, os comportamentos influenciados por fatores genéticos, instintivos, culturais e hereditários.
Enfim, essa dita inversão nos faz questionar sobre o que realmente aconteceu, quais as consequências provenientes disso, e se, será que foi realmente melhor que tal acontecimento tenha sido infligido aos gêneros masculino e feminino?
Ainda que essa mudança tenha se espalhado e sido adotada por grande parte das culturas, ainda existe o conservadorismo daqueles que não adotam e não compactuam com o pensamento da maioria. Tal impasse, logicamente, gera certo conflito de identidades das quais sejam mais adequadas para se escolher aos respectivos sexos que ainda não adotaram uma identidade definitiva, por assim dizer. Daí, os homens deixam de agir de forma genuinamente e intuitivamente masculina, e passam a agir de forma mais aplicável e harmoniosa com o comportamento feminino, e vice-e-versa. Não estou me referindo ao percentual homoafetivo ou ao lesbianismo, embora estes estejam inclusos, como também sejam exceção, e tenham grande influência nas variações futuras neste quadro comparativo tracejado para a minha abordagem. Direciono a atenção especificamente aos héteros, e seus conflitos de aspectos comportamentais.
Atualmente, é possível notar-se, com um esforço mínimo até, em nosso cotidiano tudo aquilo que a inversão de papéis resultou, no geral: Os homens deixaram de transmitir e inspirar coragem, decisão, intrepidez, firmeza, pacificação, norteamento, impavidez, precaução, confiança, e outros atributos pacíficos, altruístas, resolutos, saudáveis, apaziguadores e almejáveis, para agir com sensibilidade emocional aguçada, instabilidade emocional excessiva, meiguice e pieguice, abdicação do orgulho benigno e orientador, sentimentalismo exacerbado, forçoso e enjoativo, que se frequente, torna-se incômodo até mesmo quando adotado pelas próprias mulheres. Em contrapartida, as mulheres, por possuírem genuinamente características comportamentais mais emotivas, instáveis e compassivas, quando optam por adotar características tipicamente masculinas, acabam por resultar em um grande desastre, desarmonioso, depreciativo, e pouco funcional.
Obviamente, existem características louváveis e perfeitamente possíveis de serem adotadas por ambos os sexos, benéficas para toda a humanidade. O empenho, a garra, a perseverança, a humildade, a caridade, a ambição saudável e a busca por melhores condições de vida, o desejo por tornar-se uma pessoa melhor a cada dia, dentre outras perspectivas que influenciam na construção de um mundo melhor para a nossa civilização, e para as gerações futuras.
Não foi à toa que a expressão “Hombridade” tivesse recebido como significado exatamente o ato de ser varonil, honesto, honrado, sincero e fiel.
Explorando novamente a questão relacionada aos períodos da história, a relação entre os gêneros já sofreu inúmeras e intensas mudanças, marcadas pela literatura, conhecimento empírico, dogmas religiosos, contos populares, simpatias, superstições, e tudo aquilo que compõe o caráter cultural das regiões dentre as eras. Houveram mudanças que foram mais marcantes do que outras, e a maioria, se não todas, giraram em torno de filosofias intituladas machistas ou feministas. Embora ambos os gêneros ainda façam alegações de que foram e/ou são mais ou menos favorecidos que os outros, para um expectador imparcial é fácil notar que ambos foram favorecidos e desfavorecidos com as mudanças. Isto é, ambos foram afetados, e o meio em comum ficou desequilibrado.
Quando a ambição pelo poder ultrapassa a autonomia, direito e liberdade de todo cidadão sem que isto afete negativamente o outro, o caos se instaura, as vezes até de forma sutil. O que é conveniente, benéfico e restringe-se egoisticamente a apenas um dos gêneros ou classe social, automaticamente entra em contradição com os Direitos Humanos, invalidando a seriedade com a qual esses interesses lidam dos seus assuntos e tornam questionáveis os parâmetros de como querem assim ser vistos. Analisando por essa perspectiva, nem toda opressão é, definitivamente, uma opressão. Assim como nem todo direito de liberdade é levado à risca e sem abusos por conta da libertinagem dos mesmos grupos, etnias ou gêneros que agem dessa forma. É óbvio que isto é, no mínimo, uma tremenda hipocrisia. Cultuar valores e alçar bandeiras apregoando a liberdade e o direito de ir e vir, munindo-se de recursos que ofendem aos demais cidadãos, e a família, que é a base constitucional e modeladora dos futuros cidadãos.
O mundo precisa de homens que sejam homens e de mulheres que sejam mulheres. O mundo precisa de meninos que se tornem homens, e de meninas que se tornem mulheres. Quaisquer alegações que deem a entender que isto não é necessário, são automaticamente desacreditadas por séculos de avanços das civilizações que obtiveram o seu progresso dos detentores dessas características.
O que podemos ter como verdade absoluta, é o fato de que os opostos se atraem. Quando o homem não age como mulher, e a mulher não age como homem, os dois se atraem sim, perfeitamente.
parasitismo
Empurrei a porta, joguei as chaves no criado-mudo, me joguei no sofá, e fui tirando os sapatos com os pés. À minha volta tudo é silêncio, e o criado-mudo é testemunha disso. O silêncio no meu apartamento só é interrompido por algum eventual intruso felino que pula do telhado vizinho direto pra minha janela sabe-se-lá-como. Ou em fins de semana, quando tenho tempo de tirar a poeira do aparelho de som e as cervejas acinzentadas do frigobar. O telefone toca, alguns amigos aparecem, algumas colegas dão as caras e mais algumas outras coisas também, daí acordam com camisas minhas que transformaram em pijamas. A visão è maravilhosa, e supera até a vista da sacada.
Café da manhã só quando o relógio não acusa o atraso pro trabalho. Então chega a segunda-feira, e a rotina não vem acompanhada da faxina. Sossego, silêncio, solidão, chame do que quiser. A verdade é que existem pessoas que gostam da solidão mais ou menos da mesma forma que outras pessoas gostam de determinadas estações do ano. Eu me dou muito bem sozinho, e o criado-mudo da minha sala também é testemunha disso. As únicas pessoas que não conseguem acreditar nisso ou conceber a ideia de morar sozinhas são as que levam o parasitismo muito a sério. Não existe teste mais eficaz e duradouro de independência, auto-suficiência e sobrevivência do que deixar a casa dos pais e ir viver no seu próprio canto. O acúmulo de responsabilidades e afazeres parece bobagem se for justificado pelo fato de não dever satisfações. Dever mesmo a partir de então, só as contas de água, luz e telefone. A modelagem de um espaço com a sua cara, seus gostos e suas manias que ninguém suporta bem ali, seguros e retidos nas suas paredes, que se falassem, não encheriam seus pais de orgulho. É claro que a correria semanal te rouba prazeres simples, como preparar uma comida não-enlatada pra variar, ou assistir o canal dos esportes no melhor estilo pés-apoiados-na-mesinha-cerveja-na-mão-e-no-último-volume, mas dá pra sobreviver. Afinal, desde o momento em que você acorda pra ir trabalhar ou estudar até o horário em que você volta pra pôr a sua casa em ordem pode se enquadrar na descrição de sobrevivência. Parece até que viver é só para os parasitas, que continuarâo em seu conforto sem progresso algum enquanto os seus respectivos hospedeiros assim permitirem. Quem é independente abre mão de certos luxos em sua vida para poder ir onde quiser, voltar quando quiser e hospedando quem quiser, por um curto prazo, é claro.
identidades
O tempo inteiro, a todo momento, pessoas mudam. De opinião, de aptidão, de intenção, de coração. Mudam. É a condição dinâmica natural da civilização humana. O amadurecimento intelectual depende da absorção de uma infinidade de informações que resultam na implementação e adoção de uma identidade x. E essa dita identidade, por sua vez, também se caracteriza pelo dinamismo. Dessa forma, podemos entender que, para que uma identidade seja considerada sólida e finalmente amadurecida num indivíduo y, serão necessárias outras identidades em um percentual razoável de quantidades, que seriam temporais e fragmentadas, possibilitando assim a evolução e inter-relação entre elas. Algumas dessas identidades seriam até bem características de determinadas faixas etárias.
Suponhamos então que, você, involuntariamente, já tenha adotado as mais distintas identidades na formação de sua identidade atual. Então:
- Você sabe quem você é?
- Você sabe quem gostaria de ser?
- Você saberia informar precisamente quantas identidades você já adotou até o presente momento?
- De quantas identidades você precisaria para finalmente descobrir quem você é?
- Você já sentiu alguma espécie de orgulho ou vergonha de alguma das identidades outrora por você adotadas?
- Você seria capaz de afirmar convictamente se algum dia já se espelhou em alguém, cuja identidade não fosse definitiva?
- Você consideraria a sua identidade atual como sendo a resultante de algo positivo proveniente de fatores negativos, ou de algo negativo proveniente de fatores positivos?
- Você consegue identificar a sua identidade atual?
*
Você imagina que fez bem mais além do que poderia. Você constatou que fez até mais do que deveria. Você pensou que já se conhecia. Você julgou que nada o influenciaria. Você presumiu que já havia aproveitado tudo aquilo que o beneficiaria. Você supôs haver finalmente encontrado algum sentido numa vida vazia.
Suponhamos então que, você, involuntariamente, já tenha adotado as mais distintas identidades na formação de sua identidade atual. Então:
- Você sabe quem você é?
- Você sabe quem gostaria de ser?
- Você saberia informar precisamente quantas identidades você já adotou até o presente momento?
- De quantas identidades você precisaria para finalmente descobrir quem você é?
- Você já sentiu alguma espécie de orgulho ou vergonha de alguma das identidades outrora por você adotadas?
- Você seria capaz de afirmar convictamente se algum dia já se espelhou em alguém, cuja identidade não fosse definitiva?
- Você consideraria a sua identidade atual como sendo a resultante de algo positivo proveniente de fatores negativos, ou de algo negativo proveniente de fatores positivos?
- Você consegue identificar a sua identidade atual?
*
Você imagina que fez bem mais além do que poderia. Você constatou que fez até mais do que deveria. Você pensou que já se conhecia. Você julgou que nada o influenciaria. Você presumiu que já havia aproveitado tudo aquilo que o beneficiaria. Você supôs haver finalmente encontrado algum sentido numa vida vazia.
motivos certos para vencer
As pessoas tendem a querer e escolher o que é melhor e mais conveniente para si, é claro. Tudo isso de acordo com as suas perspectivas na época e circunstância em vigor de suas vidas. Isso vai desde a escolha de um canivete qualquer, até o automóvel com melhor custo benefício da categoria. Isso vai desde a socialite mais cobiçada de bairro nobre, até a acompanhante de luxo mais requisitada da periferia. Isso vai desde a escolha de um banco com limite de crédito no cartão que seja compatível ao valor da cocaína que você usa, até a qualidade da cocaína com a qual você costuma formar carreiras com esse mesmo cartão. Tudo, tendo em vista primordialmente o melhor, de maior qualidade, com maior quantidade, de melhor rentabilidade, com as melhores vantagens. Até aí tudo bem, todo mundo tem esse direito. Até as vítimas das castas. O direito de querer. O poder de obtenção é mais complexo que isso, mas por enquanto vamos falar hipoteticamente. Vamos supor, pressupor, e provocar um estupor de pensamento, por apenas um momento.
Digamos que seu aperfeiçoamento nos quesitos profissional, cultural e físico sejam o reflexo do valor que você atribui a si próprio. E as vantagens obtidas mediante a obtenção de sucesso nesses quesitos não sejam nada mais nada menos que recompensa pela sua performance, correto? Assim, deduz-se que, quanto mais empenhado você for nesses aspectos, mais qualificado e atraente você será aos olhos alheios, entendido? Afinal, Quem não gostaria de se sentir almejável e promissor? Do que mais você precisa então?
Você precisa que essa sua realização pessoal seja realmente pessoal, e não ávida e sôfrega, como acontece na maioria das vezes, com a maioria das pessoas. O intuito dessa obtenção de atributos, sejam eles materiais ou físicos, para aumentar o poder de atração jamais estarão a par com os atributos intelectuais, de forma que a obtenção deste último garante uma rentabilidade muito mais proveitosa a qual os anteriormente citados de forma alguma desempenhariam tão eficazmente. Se você opta por se aperfeiçoar pelos motivos errados, esse aperfeiçoamento consequentemente será em prol de pessoas erradas. Daí, você poderá um dia ser bem-sucedido, destacado, apresentável, desejável, mas sem um propósito concreto e sem luz própria, já que a sua luz terá sido utilizada somente para iluminar o caminho até o momento em que você esbarrou em alguém. Não é a toa que os bens de consumo e as iscas são análogos em nossa sociedade. Logo, você é destacado materialmente, mas desvirtuado mentalmente. Irônico, não?
Contudo, entenda bem, eu não estou dizendo que você não deve galgar o seu sucesso ou lutar para conseguir aquilo que deseja; Apenas me daria muito por satisfeito se fizesse isso pelos motivos corretos.
Portanto: Redefina seus propósitos e faça mais uso do ''eu'' nas suas frases. Espelhe-se nos outros. Sem invejá-los. Se no seu mundo, que coincidentemente é o mesmo que o meu você julga ser isso impossível, é porque você está priorizando notar o sucesso de pessoas como eu, sem se preocupar com os recursos que pessoas como você já possuem e só precisam desenvolvê-los.
uma fração de segundos
Foi estranho. Dessa vez eu dispensei toda a ironia habitual, e daí me senti menos, menos..menos eu. E não sei o porquê, portanto nem se atreva a perguntar. Não resistiria e nem repetiria a boa ação duas vezes por dia, nem que deslocasse a mandíbula. Mas, desde já vou marcar na agenda pro próximo milênio.
Na minha mente, por uma fração de segundo apenas, surgiram as mais bem boladas respostas que você jamais formularia. Desceram rasgando goela abaixo, um massacre de comover. Não me atrevi a mastigá-las, pois o gosto deve ser uma merda. E aí, o que sobra? Um sorriso amarelo. A sobremesa. O prêmio de consolação. E a carta de rendição. Deveria ter engolido a seco também. E é só o que tem no menu. E ainda dizem por aí que eu não sou legal. Ela é a primeira da lista. E a última que vai ouvir um pedido de desculpas meu. Regras de etiqueta, falta de educação. Falar de boca cheia. De ironia e palavrão.
folha em branco
Sentei na cadeira e topei o desafio que a folha em branco estava me propondo. À princípio, fiquei listando os princípios que poderia mencionar em momentos estratégicos que jogaria no papel, como se fosse uma batalha naval, sendo travada ali mesmo, e nela eu estava perdendo. Afundei nos meus pensamentos, e busquei a superfície do meu copo. Engraçado, procurei o farol, mas não o encontrei.
Estava realmente perdido. Tudo o que via a minha volta era uma imensidão branca, com ondas gráficas que iam surgindo de forma agressiva e revoltosa. Então eu aceitei que elas me submergissem.
Lá no fundo eu pude encontrar aquilo que estava procurando, que no entanto nem sabia o que era. No meu oceano particular, havia tinta misturada com uísque 12 anos, repleto de sarcasmos e sacanagens. Preciso pensar em um anagrama com essas duas palavras para nomear o meu oceano, afinal ele merece.
O oxigênio não me fez falta, me adaptei ao ambiente. Quando dei por mim, já era um espécime endêmico dali. Desde então os sarcasmos e as sacanagens me circundam e acompanham, como fiéis escudeiros, me protegendo até mesmo dos perigos que posso encontrar dentro de mim mesmo. Não, eles estão longe de assumir o papel de anticorpos, até porque os meus próprios anticorpos também me envenenam. Eu os considero como um mal necessário, um mal com algo de bom. Alguém em algum momento me definiu assim. Achei graça. Devo ter algo de bom mesmo, mas não vou expor isso. É um flanco desprotegido na minha batalha naval. Mas também é outro mal necessário. Não que este dessa vez seja a mim nocivo ou tóxico; na verdade, ele deve até me fazer bem mesmo. O problema é que não aprecio muito a companhia que o bem faz em mim, mas ele é o único capaz de me levar de volta à superfície.
Estão se tornando cada vez mais raras as minha aparições por lá. Quando subo, me deparo com uma atmosfera cinzenta e nuvens de fumaça dum cigarro no cinzeiro, ali no canto da minha mesa. Quando finalmente me encontrei, o mundo a minha volta estava perdido. Optei por voltar ao meu oceano, pelo menos lá eu já conheço e sou muito bem recebido. A decoração é mágica: Paredes de melancolia com o assoalho revestido de princípios. Aí estão eles, a minha sustentação. Não pude encontrá-los porque em momento algum olhei pra baixo, por culpa da minha altivez. Mas eles estavam lá. E cá agora estou, me sinto mais confortável aqui, é mais aconchegante do que lá em cima. Gosto até do toque especial que as manchas engorduradas de benevolência na minha parede dão ao ambiente. Fico me perguntando se é possível poluir ainda mais o que já está poluído, ou se algo que até então não se pôde poluir ainda pode se manter intacto, em meio ao risco iminente de contaminação, por todos os lados.
partir
Suponhamos que eu sinta essa necessidade de partir. Mas não pra outra vida, até porque não sou muito fã de enterros, Só partir. E pronto. Sem nenhum destino específico, sem nenhum plano em mente, sem nenhum assunto mal resolvido, sem nenhuma bagagem, sem nenhuma recordação, sem dar nenhuma satisfação.
Sinto a necessidade cada vez mais forte de respirar novos ares, conhecer novos lugares, entender novas coisas, presenciar novos fatos. Creio que, ao menos uma vez na vida, todo mundo já sentiu isso. É mais ou menos como aquela vontade de querer assistir ao seu próprio enterro. A maioria queria poder saber quem iria sentir sua falta. Eu não. O que eu gostaria de saber mesmo, seria da forma com que as pessoas se lembrariam de mim.
Não há mais nada pra mim aqui. Pelo menos não por enquanto. Talvez quando eu voltar, e se eu voltar, quem sabe. Não vou querer uma despedida triste, muito menos uma recepção calorosa. Só vou querer andar calmamente por ruas das quais eu nunca tenha andado antes, sentindo a brisa leve dos ventos me saudarem, as luzes dos postes pairando sobre mim, e a dos carros vindo ao meu encontro. Não tenho nenhum motivo em especial que justifique minha partida, e nem preferência alguma pelo lugar pra onde vou.
Sou apenas eu, no meu individualismo de sempre, preferindo mudar de lugar, do que de identidade. Não tenho laços emocionais que me prendam onde estou. Não tenho uma corda pra me guiar no caminho aonde vou. Não tenho certeza de nada, sou um agente do acaso. E todo mundo sabe que quando não temos certeza de nada, a única certeza que temos é a de que precisamos partir. Pra nenhum destino específico, o lugar não importa. Só partir.
atípico
Não esqueça que foi você quem perguntou. Mas vale a tentativa.
Eu sou tipicamente atípico. Uma mistura de rótulos ruins. Qualquer tentativa da minha parte de me descrever, é frustrada imediatamente pelo meu senso de auto-preservação, como também para conservar o efeito-surpresa e usá-lo contra quem tenha a pretensa ideia de me subestimar. Os meus problemas com relações a longo prazo eu passei a considerar como alergia, embora quem me conheça de longa data e com delongas chame isso de fobia. Essa coisa de 8 ou 80 impera no meu julgamento e meio social. Meus amigos cretinos são a maior prova disso. E apesar de adorarem me contestar, se eu precisar, eles estarão por lá. Esse ''lá'' provavelmente é uma taverna. Mas consigo localizar. Amizade de longa data, sem prazo e com delongas proporciona isso, gostos parecidos.
Não sou muito de perder tempo encontrando qualidades em mim, e tenho uma simpática aversão por quem as fica procurando e acaba identificando em alguma atitude minha. Odeio. Penso e repenso inúmeras vezes se qualquer intimidade vai me trazer alguma utilidade. Meu individualismo deve ser até altruísta, porque depois de todo esse tempo de convivência, eu já consigo me corresponder tão bem com ele, que até dispensamos a terapia. Fator este que me arma com um arsenal de certezas das quais nenhuma das pessoas com as quais me envolvi conseguiram. A guerra pode até ser sentimental, mas a munição continua sendo letal. Por esse motivo, e também por pirraça, sempre dispenso aproximações maiores de quem tenta se aproximar mais do que o necessário.
Eu estou poupando-as de choros intermináveis e xingamentos desnecessários, e nem precisam me agradecer por isso. Pois no fundo eu sei quem sou, e no final sempre acabo considerando cada xingamento como elogio.
Fica mais fácil se me odiar. É claro que não vou me importar, é o mínimo que posso fazer. Considere isso como um gesto de cavalheirismo. Não que realmente seja, tá mais pra gentileza. Mas elas não precisam saber disso.
Caso eu tente justificar algo, sairá tão ruim quanto as minhas tentativas de me descrever. E essa conformação comigo é até poética, para não dizer piegas, porque não consigo identificar pieguice alguma em mim. Vai ver a pieguice é alguma qualidade, só isso justifica. Uma qualidade muito escrota, diga-se de passagem.
Além disso, não sobra muito o que dizer. O que mais eu posso dizer? Que eu sempre fico me fazendo essa pergunta mentalmente nesses términos que nem começaram de alguma coisa que não consigo descrever o que é, com alguém que, independente do quanto foi bom ou o quanto durou não consigo descrever como é? Sobra pouco a dizer. Não tenho hábitos alimentares saudáveis, mas sou seletivo com mulheres e bebidas. Sobra pouco a dizer. Rock melancólico meio que combina com minha personalidade. Por que você acha que as melhores músicas tocam justamente na hora do rush? Sobra pouco a dizer. Eu sou um babaca. Pronto. Admiti. Uma bomba-relógio de decepção na vida de qualquer garota esperançosa. Sobra pouco a dizer. Talvez um ''eu te avisei.'' Meio cruel, quem sabe na próxima. Qualquer tentativa de aproximação será em vão. É, eu sei, devo mesmo ser meio morto por dentro. Sobra pouco a dizer. Só sei que nunca saio machucado nesses contos de fada dos quais eu fico com o papel de anti-herói. Heróis combatem o crime. Eu, no caso, sou o meu próprio crime. Sobra pouco a dizer. E olha que já me esforcei para sofrer algum remorso ou crise de consciência, logo depois de perder. Bom, o remorso não deu as caras e eu devo ter perdido a sensação em algum lugar do cérebro. Mumificada. Sobra pouco a dizer. Eu vou de ''A gente se vê'' ou ''Adeus'', e num reencontro, quem sabe, ''Estou bem, obrigado. E você?''
happy hour
É isso aí, tá decidido. Prometi que essa semana dispensaria toda happy hour que me aparecesse ao decorrer dela. Ultimamente não tenho tirado uma migalha de tempo sequer pra dormir aquelas oito horas que os médicos recomendam e que eu nunca conheci desde que comecei a trabalhar. Motorista. Salário mínimo. 8 horas por dia. Uma folga por semana. Era na segunda, o dia da ressaca. Bons] tempos] difíceis. Fora os malditos lapsos de insônia que insistem em aparecer sem serem convidados. Pois sim, cá estou, novamente quebrando promessas que fiz a mim mesmo, e acumulando cansaço por um bem maior: Um amigo, antigo, dos poucos que sobraram, dos muitos que casaram, brigou novamente com a esposa, e decidiu desabafar.
Presumo ainda me sentir na obrigação de ouvi-lo dizer as mesmas coisas que foram ditas na semana passada, no seu último desabafo, neste mesmo bar, nesta mesma mesa, com os mesmos motivos. Foi o que me restou de monotonia, a monogamia do meu amigo.
No decorrer da narrativa, penso em soluções simples que resolveriam todos os problemas logo de cara, mas ele insiste em dizer que não é bem assim, que é mais complicado do que parece. Na minha opinião, ele só entende mesmo do medo da perda, que obviamente, ela não possui e nem retribui. Ela tem o péssimo ato de retribuir o tudo com nada. Ele tem o péssimo ato de retribuir o nada com tudo. E tudo se resume a isso: Pagando comprometimento, e recebendo notas promissórias de compromisso, e sem juros. Isto, quando não recebe portas na cara, ou roupas jogadas pela janela.
Eu tenho que a agradecer a ele, sério mesmo. Por sempre me lembrar do porquê não me casar. Sem falar nas boas piadas que a sua desventura conjugal acaba rendendo. Suas reclamações de dores nas costas vem acompanhadas de minhas recomendações que incluem a compra de um sofá novo pra dormir. O medo dele resume-se mais ou menos ao fato de que, se ele tomar novamente uma decisão definitiva como a do casamento, acabe ficando sem nada; sem nada melhor do que ele julga obter, ou sem nada melhor que consiga fazê-lo esquecer. É, Triste. Decisões definitivas fazem isso com você.
Eu, desde já assumo minha parcela de culpa nisso. Digamos que eu seja tudo aquilo que ele poderia ter sido. Mas não foi. E ele sabe disso, até chega a se lamentar. Talvez eu seja um bom amigo, ou pelo menos tento ser. Tentando poupá-lo da dor, e desconversando ou mesmo não respondendo as suas constantes perguntas sórdidas quanto à minha vida, e atividade sexual. Normal.
Por fim, acredito que ele pense que, essa vida que eu levo definitivamente não sirva pra ele.
Não discordo, já conheci garotas que seriam a companhia perfeita para caras com o perfil dele, mas acabaram na cama de caras como eu.
Se eu me sinto culpado? Eu deveria? Não acredito em hipnose, não apontei armas durante esse último verão, e não me lembro de haver prometido nada, justamente para isentar-me de uma hipotética culpa que provavelmente eu nunca sentiria. A escolha foi, é e continuará a ser delas, eu só correspondi. É, eu já ouvi essa conversa de coração-de-pedra antes, mas a realidade nesses casos é a de que, não sou nem um pouco imune aos meus ímpetos instintivos quando o assunto a se tratar é exatamente o de mulheres me facilitando descaradamente.
A esposa do meu amigo em questão passou por isso, conforme ele mesmo me contou. Ainda bem que não foi comigo, não gostaria de pensar que ele assumisse o papel de reciclador, ainda por cima o meu.
Ele diz que eu não tenho escrúpulos por colecionar telefones, mas eu o corrijo prontamente alegando que os tenho, e muito. Prefiro mentir dizendo que vou ligar e não ligo, do que dizer que vou sair pra comprar cigarros e nunca mais voltar. Por essas e por outras que aquelas cerimônias nunca me encheram os olhos, apesar de já me terem feito de padrinho. Qualquer dia desses vou me esforçar pra pegar o buquê, só pra ter o prazer de atear fogo nele. E depois sair correndo, brincando de tocha olímpica. A mãe do noivo bem que avisou para não me porem de padrinho, não avisou? Pois é. Ainda quero que ele continue casado. Mesmo que não pareça. Por que, assim como eu sou o outro extremo do pólo pra ele, ele logicamente também é o outro extremo do pólo pra mim. Se eu realmente nascesse pra isso, e não considerasse uma puta mediocridade bem como um tremendo confinamento essa coisa chamada casamento, acho que seria como ele: Uma ótima pessoa, tranquila, fiel, apesar das circunstâncias, que sonha em ter filhos, levá-los no zoológico, engordar, fazer um churrasco e convidar os amigos no domingo.
Não, pensando melhor, não.
Preciso falar umas coisas para a mulher dele, sei lá, tentar pôr a cabeça dela no lugar. Mas essas coisas precisam sair da boca dele. Posso não ter experiência no quesito dois-sob-o-mesmo-teto, mas tenho um amplo know-how no quesito mulheres. Vai servir.
Espero que ele não perca de todo esse altruísmo, nem talvez esse costume de eternizar as coisas. Querendo eu ou não, são coisas que considero importantes, e fazem parte do caráter dele. Mas, depois dessa conversa, espero que ele realmente recicle a si próprio, e faça aquilo o que tem que fazer. Que ele possa mudar seus hábitos, e deixar de fazer as cobranças, mas sem perdoar as dívidas.
Torço para que tudo acabe bem, mas se não o fizer bem de forma alguma, torço para que acabe. Um problema a menos pra cuidar, um peso a mais pra jogar no ar. Saio do bar com a sensação de ter cumprido o meu dever, e com o telefone da garçonete no bolso. Lição de casa. O expediente dela acaba às nove. O telefone dela termina com nove. Tenho algum problema com telefones. Salário mínimo. 8 horas por dia. Uma folga por semana. Nesse ritmo, vou acabar virando psicólogo. É isso aí, tá decidido.
Não, pensando melhor, não.
O lobo
"sabe,eu acho que entendo você. você é muito bonita e você acha que só estão interessados em você por que você é bonita, mas você quer que eles se interessem por você pelo que você é. o problema é que, tirando toda essa beleza,você não é muito interessante. Você é rude,você é hostil, você é fútil e você é retraída. Eu sei que você quer que alguém releve tudo isso e olhe para a verdadeira pessoa por baixo, mas a única razão pela qual alguém se incomodaria de revelar tudo isso é porque você é bonita. irônico,não? de uma maneira esquisita,você é seu próprio problema."
Jack nicholson, no filme Lobo(1994)
Lágrimas
As lágrimas não provam nada. E podem ser tão pretensiosas e inconstantes quanto as palavras. E quaisquer sentimentos que as provoquem, desde a compaixão até a felicidade, passando pela tristeza e ansiedade, até onde eu sei podem perfeitamente ser também manifestados por expressões faciais, o que não os inviabiliza quanto à veracidade nem a intensidade de sua manifestação.
Considerando-se que conter-se é algo, de fato, muito difícil, alguém que se atrever a dizer que não chora e em alguma ocasião derramar lágrimas involuntárias, cairá em contradição da mesma forma que as lágrimas cairão do seu rosto. O difícil será encontrar depois razões para o justificar.
Cabe a cada qual agir em conformidade com sua forma de demonstrar ou lamentar. Não dá pra comparar. Não dá pra julgar. Algumas pessoas que não choram lamentam até bem mais do que muitas que choram. Lágrimas podem insistir veementemente em escorrer pelo rosto. Mas também podem forçosamente ficar contidas nos olhos. Tudo o que resta é a avaliação dos motivos. Precisam ser, no mínimo, decentes. O fato é que existem pessoas que simplesmente não conseguem chorar. Outras conseguem se segurar. Questão de resistência. Talvez apelo. Ou penitência. Algumas bebem, outras lançam o olhar para o mais distante que conseguem. E se perdem. Sempre que podem.
Não se pode propagar o pensamento de que um homem necessite chorar para demonstrar. Como também o de que ele necessite se conter para se enquadrar, em padrões e perspectivas impostas por pessoas presunçosas. Existe um livre-arbítrio pra todas as coisas, assim como uma oposição pra todas elas também. Paremos de discorrer sobre o correr das lágrimas e procuremos saber lidar com toda e qualquer situação da forma que nos convier, da forma que nos aprouver.
Guardar tudo pra si e não chorar é algo extremamente difícil diante de tantos possíveis impactos emocionais, imprevisíveis e até letais, num mundo repleto de tantas crises existenciais e decepções passionais, de forma que, um homem que não chora, merece sim, com toda certeza e provavelmente até mais, ser chamado de homem.
monotomia
Você chega em casa do trabalho, acende a luz, fecha a porta, joga as chaves no sofá, e daí senta, ou vai em direção ao banheiro, ou a sacada, tira os sapatos, toma uma ducha, ou acende um cigarro. Revira a geladeira, liga o rádio, arruma a cama,põe algo pra descongelar, verifica a secretária eletrônica, abre envelopes, toma um café, liga a luz, apaga a luz.
Depois que a porta bate, aquele é o seu momento, o seu descanso, e ninguém tem o direito de não fazê-lo merecedor disso. É o seu seu monólogo, o seu apólogo inter ego. Terminado o ritual, você vai se deitar, olhar pro teto, suspirar e concluir que sua vida é uma merda. Em outros casos, umas lágrimas até viriam a calhar. Mas com você não, é inútil chorar. Você está só, e nem um lamento clichê com alguém você poderá compartilhar, apenas gritar. As paredes sempre se interessam por esse tipo de coisa. Seu chefe é um imbecil, seus pais são negligentes, seus irmãos são desordeiros, seus amigos são aproveitadores, sua ex-namorada é uma vagabunda, suas paqueras são bipolares, seu vizinho é um sortudo, sua vida é uma merda.
Ao seu ver, sua vida não passa de uma fétida, repugnante e desagradável M-E-R-D-A. Todos os dias as mesmas pessoas, os mesmos cumprimentos, os mesmos problemas, as mesmas dívidas, as mesmas teclas, as mesmas mentiras, os mesmos sorrisos falsos, as mesmas ambiguidades, os mesmos elogios, os mesmos lamentos. Tudo são lamentos em uma vida medíocre. A sua vida é medíocre, porque tudo nela são apenas inúteis e repugnantes lamentos.
A maior monotonia da sua vida são as suas infinitas reclamações.
Se ninguém sabe de tudo o que você realmente está passando, continue cuidando para que continuem não sabendo. Todo mundo tem um dia ruim, todo mundo já teve um dia ruim. Todo mundo já achou a sua vida uma merda assim que se jogou na cama e foi recapitular o seu dia assim que chegou do trabalho.
seja o senhor de sua razão
Não dou conselhos, estou além disso. Transcendo tudo isso.
Dou a minha opinião quando é solicitada, e ainda assim, considero um desperdício quando ela é proferida.
Não me importo com o que você irá achar. Não me importo se você irá acatar. Nem da forma que irá soar. Não irei te aconselhar com o que você deve dizer ou fazer, irei apenas te dizer o que na ocasião eu faria.
Você é responsável pelas suas escolhas, você mede as suas consequências. É assim que funciona. Você irá adaptar a minha opinião à sua realidade conforme preferir, de acordo com o que melhor lhe convier, conforme puder.
Não sou senhor da sua razão, sou suserano da minha. Explore o meu pensamento, e siga o rastro das entrelinhas. O feudo é seu. Não quero ser o responsável pela mudança fulminante do pensamento o qual você julga ser o correto, quero que você primeiro ouça o que tenho a dizer, e depois faça o que quiser. Não digo isso para isentar-me da culpa se algo der errado pra você, até porque não sentirei culpa alguma. Digo isso para que você não seja um vassalo eternamente dependente de mim, e saiba formular suas próprias ideias, andar com suas próprias pernas.
E aí, quem sabe algum dia, você não será também senhor da sua razão, assim como eu sou da minha.
sentimentos
Realmente foi melhor ter deixado as especulações de lado, pois se em algum momento eu chegasse a uma conclusão definitiva, isso mudaria algo? De forma alguma. Talvez as especulações fossem feitas só para que eu não me sentisse incomodado por não saber, ou por acreditar que isso me tornaria mais parecido com tantas outras pessoas que são consideradas, você sabe, normais. Olhe para todas aquelas pessoas lá embaixo. Elas andam por aí, acompanhadas de suas fiéis expectativas, que nem de escudo servem. No final são apenas peso extra. Numa fuga, atrasam bastante.
Ela me disse que o maior erro de todos os outros era exatamente o de tentarem ser o mais diferente possível de mim.
Meu passatempo atual tem sido esse: Tentar descobrir a razão da minha ausência de emoção. Não que eu realmente queira sentir algo, apesar de não me imaginar sentindo mais nem uma fagulha de absolutamente nada. Pé no acelerador, fragmento de bala no músculo tibial posterior. Sangue quente, sem dor. Acordei aqui.
O que ainda me intriga é justamente esse meu tanto-faz das coisas, sem exceção. Até mesmo de coisas que escrevo aqui, e que você se identificará, ou jamais entenderá, tanto faz. Deixemos a prolixidade de lado, sobram poucos detalhes quando se contrata gratuitamente como analista o teto branco do quinto andar de um hospital particular. O divã também não é muito lá essas coisas, uma cama hospitalar. Pouco confortável, ferros por todos os lados e combinando com aquele cheiro característico do lugar espalhado pelo ar. Algemas. A enfermeira não é gostosa. Recebi flores. Dela. Mas por quê flores? Nem ao menos um grampo no cartão. O mais interessante é que, estou satisfeito. Com tudo. Agora só preciso sair daqui.
A verdade é que, o mais próximo que consegui chegar de uma conclusão plausível sobre esses momentos dos quais eu agora apelidei carinhosamente de ''guerras existenciais sentimentais'', foi o de que eu queria sentir ao menos culpa por não sentir porríssima nenhuma. Como se a própria culpa servisse para me redimir das coisas que não senti, dos sentimentos que não retribuí, não correspondi, e até dos que não descobri a tempo. Até agora, nem sinal dela por aqui, e duvido muito que ela apareça, sou capaz até de apostar. Mas caso ela resolva aparecer, farei questão de que ela divida uma garrafa comigo e me conte como ela sobreviveu ao genocídio de sentimentos que eu cometi dentro da cabeça, como ela encontrou o caminho de volta, e por que motivo ela decidiu voltar.
O jogo
É, eu sei, você gosta de jogar. E quer que eu entre no seu jogo. Daí passa a exercer todas as suas costumeiras investidas e recorrer a todos os recursos na manga com o intuito de vencer. Todo mundo quer vencer. Existem bons jogadores, como você, maus jogadores, como muitos, e maus perdedores, a maioria.
Em um jogo, o excesso de superioridade traz a arrogância, e a arrogância culmina em previsibilidade. Você está acostumada com jogadores de baixo nível. É difícil hoje em dia se encontrar um adversário à altura, um desfio plausível. Você subestima todos os adversários, e não faz questão de esconder isso. Existe um sádico prazer em se tratar os derrotados como lixo. Na sua concepção, suas misteriosas e sedutoras jogadas são fatais, dissimuladas, infalíveis.
O problema é que você é especialista em lidar com meros jogadores, mas não tem nenhuma experiência em lidar com um dealer. O meu caso. Sou eu quem dá as cartas. Você joga com o que eu te der. Você vence quando eu quiser, como eu quiser, e se, eu quiser. Então, suas estratégias agora são inúteis, suas jogadas agora são previsíveis, e sua derrota agora é inevitável.
Afinal, você não está acostumada a perder, e ainda por cima, para um croupier.
A cidade do pecado
Os Catanesi costumam murmurar que Palermo é a cidade do Pecado, davvero, diferente do Vaticano, não existe puritanismo nas sarjetas palermitanas.
No coração das vielas, pelas verdadeiras artérias da cidade, onde a noite pulsa prostituição e crime, não existem guias turísticos, locais históricos, imponentes catedrais, não existe nada de belo para ser fotografado por visitantes ocidentais. O único flash é o piscar dos neons de boates e prostíbulos, isso na melhor das hipóteses, muitas vezes, a unica luz branca incidente sobre seus olhos pode vim acompanhada de um estardalhar ensurdecedor, aromatizado de pólvora.
Os estabelecimentos da meia-noite são ecléticos, atendem todos os públicos. Com poucos euros no bolso e uma insaciável vontade de entranhar nicotina, os pequenos mercados são as melhores opções. No balcão enferrujado, sobre as prateleiras, elásticos cirúrgicos e seringas envelopadas á vácuo fazem companhia aos cigarros contrabandeados. Tabaco é o veneno menos nocivo da noite palermitana. A oferta e a demanda revesam os trocados do pequeno comércio, o lucro é contabilizado assim que o valor do Pizzo a ser pago para a Organização é alcançado, dali em diante, o comerciante ganha a vida.
O frio e o silêncio noturno excitam uma aposta, talvez por acreditar que continuar caminhando por aquelas ruas de pedra polida e ainda estar com vida seja um sinal de sorte.
Algumas prostitutas podem lhe indicar uma jogatina, claro que informações assim, valem tanto quanto uma volta entre suas pernas. E voltas será algo que dará dezenas de vezes: ''Converse com alguém no final da rua'', outro no ''próximo quarteirão'', ''entre por aqui ou acolá'', indicações assim são o preludio da sua sorte.
Se não parar em um beco com um desconhecido enfiando um revólver em sua boca, de forma que poderá sentir o gélido do ferro em sua língua, terá certeza que simpatizaram com a sua cara e logo estará sentado em uma cadeira preta almofadada, apertando alguns botões e pedindo a Deus que suas notas se multipliquem, mas quem disse que Ele lhe ouvirá?
As jogatinas são sempre diversificadas, para que um importunar dos carabinieri não prejudique de forma relevante os negócios.
''Trevo de quatro folhas'' é como são chamados as casas de poker e roleta, feitas para os ''mais sortudos'', daqueles que colocam a mão no bolso, tiram um euro de caridade e soltam sobre os pés daquelas crianças de rua que vagueiam pelo centro, mas ironicamente, no final da noite, são os mesmos que queimam milhares com um blefe amador.
A fumaça do dinheiro empenhado na mesa vai direto para o exaustor da Casa; a banca nunca quebra, nunca dorme, nunca para. Assim é a vida! Não importa como será, perder ou ganhar, ela sempre continua e não te espera. As cartas das oportunidades são jogadas na sua frente, querendo ou não, você é o jogador nato!
É necessário aprender todas as suas regras para então, arriscar um Ás na manga.
Tudo isto ao seu redor, amico mio, é nada mais que um jogo sujo, onde existem somente dois tipos de jogadores honestos; os que não sabem trapacear e os que sabem, mas tem medo de serem pegos.
Mas no final, quando a vida lhe desafia, o resumo é: ''cobre a aposta ou passa...''
selva de pedra
Arvores sem folhas, tronco de concreto, chumbo e vidro. Solo infértil, negro como a alma dos seres dessa biosfera. Raposas, leões, lobos e serpentes, muito bem trajadas. Os lagos secaram. As lanças e escudos dos caçadores caíram; Hoje, se apossam de canetas e maletas. O céu brilha sem cor, já o extinto primitivo reluz em cada olhar. A paisagem mudou, mas os ideais não. Continuamos sendo os mesmos, talvez, até menos evoluidos. Fazemos parte de uma disputa rotineira, sem regras, sem leis. Vivemos em uma guerra cotidiana, na qual você precisa matar, caso não queira morrer.
O jogo
Antes de jogar, você precisa aprender. E só vai aprender se parar pra ler as instruções e observar. Depois praticar. Mas, e se não existir um manual?
Aprender a jogar apenas por observação é por si só um desafio e tanto. Aperfeiçoar a técnica depois de assimilar é como assinalar, como autografar. Uma marca, pra marcar pontos. Pontos, pra fechar cicatrizes. Cicatrizes, pra que nunca se esqueçam de quem nós somos.
Mas existem uns jogadores, que mesmo com os erros nunca aprendem. E nunca vão aprender. Vou te dizer exatamente o porquê.
O que vai acontecer se você decidir jogar sem ler, observar ou praticar? Simples: Você vai falhar. Sempre. Independente do oponente. Ao contrário do adversário. Estou prevendo isso.
Se o seu cérebro não tiver com o que trabalhar, não vai haver planejamento ou força de vontade no mundo pra ajudar, pra adiantar. Você vai desanimar, lamentar e por fim aposentar. Ao invés de estar um passo a frente, vai pendurar as chuteiras, por dias a fio e por noites inteiras.
Portanto, eu digo: Desista de tentar entender. Você só precisa ver. Analisar. Conhecer. E continuar a observar. Daí vai começar a prever. É com isso que precisa se preocupar. É isso o que vai te guiar. E desde então só tende a ganhar, nada mais de perder.
Não dê ouvidos aos seus oponentes. Eles serão irresistíveis, parecerão imprevisíveis e te dirão qualquer coisa, menos a verdade. É uma das tantas táticas de atração e consequente manipulação, o ato de dizer. E o resto você deve saber. Algumas até tentam ser sinceras, mas a maioria não. O herói sempre sofre na mão do vilão. Se eu sinto pena do herói? Não.
Sua mente, seu guia. Seu guia precisa ver. E por te faltar a visão, preste muita atenção em todos os outros sentidos, principalmente o sexto. E nos detalhes, é claro. Claro. Veja e seja, mas enxergue bem no escuro. Identifique as jogadas. Adapte-as às suas. Lance-as de volta. Não deixe transparecer. Seus adversários não esperam isso de você. Segundo tempo. Hora do tabuleiro virar. Hora do jogo inverter.
Prove. Inove. E a montanha se move. Até mesmo o mundo, se move e sabe pra onde deve se mover. Conhecimento é poder. Observação culmina em previsão, e prática é tática. Ler, observar, e praticar. À primeira vista, uma princesa vai parecer indefesa. Já tem o elemento surpresa. De repente, surge uma rainha do outro lado da mesa. O predador vira presa. Se ela vencer, vai sair dessa ilesa.
O seu adversário é o próprio jogo em si.
Vamos jogar.
apenas mais um filme
Sente-se e observe. Sinta-se à vontade para pegar a pipoca, mas não perca a concentração. O filme é sobre você, e nós estamos sentados na última fileira. É nesse instante que você sente que já esteve aqui antes. Mas não na minha companhia, e a estréia em cartaz era outra. Você vinha acompanhado de uma outra pessoa. Eu sei disso, eu estava aqui também, apesar de passar despercebido. Não, você não me ignorou. Você só pode ignorar alguém que você pode ver. Onde está ela? Você não sabe. Ou talvez saiba, mas não quer pensar a respeito. Pelo menos não agora, o seu filme já vai começar.
Nos trailers, ao invés de serem exibidos filmes futuros, estão mostrando filmes antigos, todos tendo você como protagonista. Não se anime, nenhum deles tem final feliz.
Todos são dramas, inclusive o atual. Eu sei disso, porque já o assisti. Então, meu caro amigo, ambos estamos tendo um déja vù aqui. Talvez esse último seja aclamado pelos críticos como uma obra-prima, para finalizar com louvores a série de filmes sobre você que antecederam este. Uma série de fracassos, mas o público gosta disso.
Você esperava que o gênero dos filmes se tratasse de romance, mas não é você quem decide isso. Sua roteirista não demonstrou piedade, e também não foi muito fiel ao livro de sua vida na qual foram baseados os filmes. Ah, é, tem o livro. Ele contém toda a sua história, e foi escrito por mim. Isso mesmo, por mim. Mas, acredite se quiser, eu não cheguei nem perto de ser tão cruel quanto à sua amiga, a roteirista. E mesmo assim, você sempre a trazia para este lugar aqui.
Agora você percebe que errou, em tudo. Confiou demais, tentou agradar demais, tentou superar demais, tentou compensar demais, tentou ser outra pessoa demais. Você sabe de tudo isso tanto quanto eu, o autor do seu livro. Nunca escondi o fato de que o erro foi seu, diferente das mentiras de uma roteirista interessada na quebra de um acordo entre vocês dois. Você sabe que errou, e eu tentei impedi-lo disso. Você tentou o suicídio, mas cortou os pulsos na horizontal, quando deveria tê-los, na verdade, cortado na vertical. Você nutriu um ódio tão imenso dela, de mim, de tudo, até mesmo de você, principalmente de você, por não conseguir nem mesmo se matar.
E aí as luzes da matinê se acendem, mas não é o final do filme ainda. Na verdade, estão terminando de exibir os trailers, que você nunca tinha visto até então. É um feixe de luz avermelhada, repleta de ódio, forte, o suficiente para ofuscar sua visão, por muito tempo. Você não consegue imaginar por quanto tempo vai durar. Você viu que essa cegueira o fortalecia, aguçava os seus sentidos, e passou a gostar disso. Se sentiu no controle para escrever o roteiro do seu próximo filme, mas o seu último é esse que está sendo exibido agora, e eu já o assisti.
Consegue notar o vórtice temporal? Lamento acabar com suas expectativas, no entanto preciso dizer que esse seu filme também não deu muito certo. Nesse exato momento, graças ao feixe de luz tenebroso, você não quer mais finais felizes. Na verdade você não quer mais nem ter um final. Apenas ser um paradoxo de ódio e vingança, infligindo o seu ódio em quem aparecer pela frente, do elenco, transformando todos em culpados por tudo o que deu errado nos seus outros filmes. Pode passar a ser um filme de ação, e isso por uma parte é até bom, mas com o tempo se torna entediante. Tanto pra você, quanto pra quem o assistir. A platéia também tem lugar no seu ódio crescente, mas eles apreciam sua desgraça por culpa sua.
Você quer que eu termine o seu livro contando que você passou o resto da sua vida sentindo um ódio de tudo tão absurdo que o fez desaparecer? E que o seu ódio se alastrou e contaminou outras pessoas que nada tinham a ver com aquilo? Eu suponho que não. Isso pode um dia virar filme, e quem vai estar na primeira fileira para apreciar o espetáculo será sua antiga roteirista.
Eu sei, você já quis acabar com a vida dela antes, logo depois de tentar acabar com a sua. Se eu fosse a favor dessa estupidez, diria a você que a ordem das mortes deveria ser contrária, afinal isso aqui não é um filme de terror, ficção ou essas porcarias do tipo. Você não voltaria do além para se vingar.
Por sorte, não tentou matá-la, só sentiu o desejo. Não o culpo por isso, acredite. Sofri junto com você, a mesma dor que você. Por isso digo que tomou uma sábia decisão a partir dali, se esforçar pra esquecer.
Esquecer do que já sentiu, não de seus erros. Seus erros serão úteis para o resto de sua vida, por isso fiz questão de escrevê-los. Mas existe algo que você deve esquecer: O ódio dela. Não é impossível. Outros tentaram e conseguiram, até mesmo mudar a história de seus filmes enquanto ainda estavam sendo exibidos, e se encontravam na mesma situação que você.
Você pode confiar em mim, e já lhe dei inúmeras provas disso. Você não sabia quem eu era, mas podia me escutar. Nem sempre deu ouvidos à minha voz, mas sempre pôde escutar aquilo que eu dizia. Por isso tudo, acredite: Ninguém está isento da justiça. Mais cedo ou mais tarde, neste universo paralelo ou em outro, testemunhando você ou não, ela virá. Não estou falando de vingança, como você espera que isso seja, e não se trata de esperar por um prato que se come frio. Apenas a certeza de que os culpados um dia pagarão pelos seus erros, e isso também não se trata de maldição.
É apenas a lei da retribuição, teoria do caos, princípio da penalização. Ao invés de nutrir o desejo de vingança, ou querer fazer justiça com as próprias mãos, sente-se e assista, o filme já vai começar.
— Espere, pensei que você havia dito que o meu filme não teria um final feliz.
— Mas quem disse que esse filme é seu? O filme é dela.
— Se o filme é dela, porque eu estou aparecendo ali? E quanto aos meus outros filmes? Onde estão? O que aconteceu? E o livro sobre mim que você escreveu?
— O seu filme? Estamos gravando agora, nesse exato momento, sentados nessas duas poltronas. Aquele filme que você iria assistir no começo da sessão era mesmo o seu, mas o feixe de luz impediu que você o visse. Ele era uma porcaria, por isso sugiro que faça um novo, e dessa vez seja seu próprio roteirista. Seus outros filmes ficarão guardados comigo, e asseguro-lhe de que não serão exibidos novamente. Política de privacidade. Eu vou ajudá-lo, como sempre o ajudei, serei o seu diretor até, e continuarei escrevendo seus livros, quantos volumes forem necessários. Mas agora tenho que ir. Aproveite bem esse filme, apesar de ser outra porcaria. Mas acho que vai lhe proporcionar alguma satisfação, já que o final dela não é feliz. Quando quiser começar as gravações, é só me chamar.
- Mas como poderei encontrá-lo? Afinal de contas, quem é você?
- Quem eu sou? Você. Mas você deve me conhecer por outro nome: Consciência.
A sua.
um pai
Hoje eu e meu pai somos muito distintos um do outro, mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que tudo o que eu queria era ser igual a ele. A aparência, o andar, o jeito de falar, a mesma profissão, o mesmo veículo, uma esposa tão boa como a minha mãe, a mesma quantidade de filhos, os mesmos passatempos, tudo.
Eu nasci e fui criado em um ambiente muito rígido, tendo a figura paterna como o meu maior alvo de admiração, e dedicando a ele o máximo de respeito. Respeito este que muitas vezes eu confundi e acreditei que fosse a mesma coisa que sentir medo.
À medida em que eu crescia, pude ver o afeto se esvaindo, e as responsabilidades e exigências se sobressaindo.
Durante quase toda minha adolescência, me esforcei pra ser exatamente o oposto de tudo o que meu pai era e representava. O que eu queria, era construir minha própria identidade, ter minha liberdade, e descobrir quem eu era. Não queria viver a vida de outra pessoa, me espelhando eternamente nela, tentando incessantemente agradá-la, dia após dia, para ao final de cada dia concluir que todo o meu esforço seria em vão, que tudo o que eu fazia nunca era o suficiente, que eu sempre deixava faltar alguma coisa, que eu poderia ter me saído melhor, e que tudo o que eu fazia de bom não era mais do que minha obrigação. Que eu fui um fraco por haver desistido de todas as coisas as quais desisti. Que eu estava desperdiçando oportunidades que ele jamais teve, e que outras pessoas seriam capazes de matar por elas. Que outras pessoas haviam se saído melhor do que eu, e essas mesmas pessoas recebiam palavras de elogios do meu pai que eu jamais havia recebido.
Foi então que eu percebi que, tudo o que eu queria era nunca tratar os meus filhos da mesma forma que o meu pai me tratou um dia, e dizer a eles as mesmas coisas que ele me dizia. Quando atingi a maioridade, comecei a desafiar o meu pai, e a redirecionar todo o meu esforço em ser igual a ele na infância e diferente dele na adolescência no intuito de obter o máximo de sucesso possível para assim mostrá-lo do que eu era capaz. Que ele pudesse chegar à conclusão de que não era eu um mau filho, e sim ele que não era um bom pai. Queria fazê-lo engolir todas as ofensas e palavras duras as quais um dia ele utilizou para me descrever, como também repreender das coisas ruins, das que ele não compreendia, ou apenas não concordava com que eu fazia. Queria que ele um dia chegasse a velhice e precisasse de mim, de pedir minha ajuda.
Em momentos de raiva, já menti para algumas pessoas dizendo, quando me perguntavam, que o meu pai já havia morrido. E pela forma com que eu agia, parecia que ele havia morrido mesmo. Já sumi por vários dias sem dar notícia alguma, somente para que pudesse sentir que ele se preocupava de alguma forma comigo. Já o acusei de várias coisas, de várias faltas e de vários erros para outras pessoas; E tudo isso para tentar desfazer a imagem que eu ainda tinha dele na infância, e me convencer definitivamente de que meu pai não era perfeito, por mais frustrante que isso possa ter sido. Cheguei ao ponto de dizer ao meu pai coisas muito mais difíceis de ouvir do que aquelas que ele havia dito pra mim, e depois disso nunca mais falar com ele. Passei um bom tempo sem dirigir uma palavra sequer ao meu pai, e ele da mesma forma, também sem falar comigo. Às vezes o olhava pela rua, ou na casa de familiares e amigos em comum, e fingia que não o conhecia. Era reconfortante saber e ver que ele estava bem, mais isso seria uma coisa que eu jamais admitiria, e suponho que ele também não.
Até hoje eu não sei exatamente o que o meu pai esperava de mim com relação ao meu futuro, e também não sei se eu não acabei mesmo sendo uma grande decepção tanto para aquilo o que ele esperava do futuro dele, quanto para o meu. O que sei é que, passei a maior parte da minha vida tentando ser diferente do meu pai, para reconhecer e admitir que hoje sou muito parecido com ele, mesmo sendo muito diferente. Com toda certeza o meu pai não foi por diversas vezes tudo aquilo que eu esperava, mas eu ainda pude ouvir da boca dele, a declaração de que, tudo o que ele queria, quando tinha a minha idade, era que os filhos dele pudessem ter tudo aquilo que ele um dia quis e não teve, e fossem melhores que ele.
A minha vida de maneira alguma foi fácil, mas a do meu pai foi muito mais difícil. O tratamento que ele recebia do pai juntamente com as coisas as quais ele teve de suportar, fizeram com que ele fosse o homem que é hoje. E provavelmente também fizeram com que eu me tornasse um homem, e essa é a beleza nisso tudo. Somos sobreviventes. Somos homens, e esperamos que os nossos filhos sejam melhores do que nós, a cada geração. Nós nunca seremos perfeitos, mas nunca deixaremos de aprender. Com os acertos, com os erros, com tudo o que nossos pais nos ensinaram para que pudéssemos ser quem somos hoje, e para que nossos filhos possam receber, valorizar, e repassar todo esse conhecimento inestimável aos seus filhos. Para que estejam preparados para viver num mundo cada vez mais difícil de viver, e correspondam às nossas expectativas, até mesmo aquelas que nunca foram ditas. De que são e serão capazes de tudo, em tudo o que fizerem.
Nenhum pai deseja o pior para os seus filhos, e se desejar, não merece ser chamado de pai. Um pai é capaz de se sacrificar sem relutar pelo bem-estar dos seus filhos. Um pai ensina que o medo é um adversário que vale a pena encarar.
É incontestável o amor das mães pelos filhos, porém, às vezes, o amor fala mais alto do que a necessidade de corrigir no intuito de consolidar um caráter, e formar pessoas de bem. Somente os pais são capazes de amar os filhos e repreendê-los simultaneamente de forma tão pronta, valorosa e eficaz.
Por isso a figura paterna é tão importante, pois ela opera como um legítimo farol, que irradia sua luz de palavras e exemplo para nos orientar, por toda a vida.
Um pai ensina a se portar como homem, a viver como um homem, e a morrer como um homem, sempre dignamente.
Há alguns dias atrás eu voltei a conversar com o meu pai. E pude ouvi-lo dizer que, se um pai exigir do seu filho mais do que de qualquer outra pessoa, é porque ele sabe que o filho será capaz de ser o melhor naquilo que ele fizer. Um pai de verdade, conhece o seu filho a tal ponto, que sabe precisamente o fardo exato que ele será capaz de suportar.
Cobranças incoerentes
Há um pensamento ridículo difundido entre a grande maioria dos homens: O de estar o tempo inteiro envolvido em relacionamentos. Sejam estes casuais ou duradouros, existe uma pressão social exercida por parte de amigos, familiares, colegas de trabalho, e pessoas próximas em geral. Mas, principalmente, advinda de outros homens. Semelhantemente a uma cobrança relativa ao gênero feminino diante da necessidade de se casar. O que este pensamento expressa, não é nada mais, nada menos que, a capacidade de um determinado homem é medida pela quantidade e/ou pela constância de mulheres que o mesmo se relaciona, por vezes até que isto não seja afetivamente. Então, outros homens, em um determinado ciclo social, se limitam a crer que, se um homem passa um período demasiadamente prolongado sem envolver-se com nenhuma mulher, ele é incapaz. A incapacidade da qual me refiro, infelizmente não se restringe apenas ao não envolvimento do dito cujo, mas também engloba as outras segmentações de desenvolvimento da sua vida, em curso. De forma que, o indivíduo avaliado nessa errônea constatação, passa a crer que essa exigência direta e/ou indireta é, incontestavelmente, um fato, uma falha, que precisa ser sanada na mais oportuna urgência. Porque fora incutido em sua mente que, a sua capacidade e sua posição só seriam reafirmadas caso houvesse um envolvimento neste período de tempo, envolvimento esse que ainda passaria por avaliação e comentários sordidamente desnecessários, talvez comprometendo até a seleção de praxe do indivíduo em questão da pessoa ao qual ele tenciona se relacionar.
Você não precisa estar acompanhado de alguém somente para poder ser reconhecido por alguém, ou ocupar determinada posição pseudo-hierárquica em seu meio, você não precisa mostrar aos outros o quão é requisitado, ou o quanto é estimado por determinados feitos, por determinados números, por determinadas investidas. Você não precisa acatar as imposições, nem tampouco ceder às pressões exercidas para ser reconhecido, ou que está em uma hipotética desvantagem em um determinado desafio que o impuseram. Se você é homem, e faz uso dessa atitude, pare imediatamente. Sua vida, assim como a de outros, não é delimitada apenas pelo número e grau de conquistas, como também não é delimitada ao tempo de duração de um envolvimento. Se você menospreza os outros mediante as suas conquistas passionais, ou se sente menosprezado por outros mediante as conquistas passionais deles, você é influenciavelmente desprezível e seu aprimoramento como ser humano está restrito apenas a diretrizes inúteis vindas de pessoas inúteis. Se você é mais que isso, meus parabéns, paramos por aqui. Não se esqueça de ligar o foda-se assim que sair.
Fúteis relacionamentos
Os relacionamentos atuais. A que ponto chegaram? O quanto tornaram-se decadentes? Foram reduzidos a quê?
Em épocas precedentes, o matrimônio era um negócio que visava garantir e manter a reputação, a posição social, e o poder aquisitivo das famílias que decidiam se unir, selando esta união com o casamento dos membros de suas respectivas famílias. Este pacto era firmado, regido e administrado pelos patriarcas de ambos os lados. Atualmente, com a costumeira e consequente quebra de paradigmas, dogmas e costumes dos quais o mundo está sempre suscetível com o passar do tempo, nota-se que houve mudança somente nos tipos de interesses, nos tipos de relacionamentos, e nos interessados em finalizar a transação, pois o interesse ainda se faz presente. E sempre será dessa forma, o que leva ao seguinte questionamento: Que tipos de interesses? Atrevo-me a dizer que, as pessoas renegam ou não dão a devida atenção que as tantas virtudes, valores morais, destreza, benevolência, dignidade, e outras características nobres despendam, para salvaguardar-se única e inteiramente aos valores estéticos e monetários, de forma que, um relacionamento limita-se a uma parceria favorável aos titulares, seja por destaque, seja por capricho, seja por autoafirmação. Tudo com o intuito de elevar-se perante terceiros, nada que seja para usufruir e dedicar a estima, consideração, afeto e admiração ao parceiro(a). O pensamento difundido entre a grande maioria dos homens é o de que, quanto mais beleza, dotes físicos, seletividade, ternura e venustidade uma mulher possuir, maior é a sua dita conquista quando esta é adquirida perante o meio que o circunda, e a sociedade em geral. Em contrapartida, a grande maioria das mulheres tem como prioridade, a intuitiva ação de buscar atributos de destaque diversos, como a estabilidade financeira, ou ambição, tônus muscular, boemia, liderança, entre outras características que também diferem um homem em potencial que seja disputado e requisitado pelas rivais. O desejo sempre é instigado pelo grau de destaque social que o titular detém, e os valores morais anteriormente citados somente em última instância são levados em consideração, por ambas as partes.
Obviamente, não faço essa análise em prol e defesa dos desprovidos de tais atributos, como também não condeno que a busca por estes, em um dado momento da relação, seja equivocada na íntegra. Atenho-me somente ao expor a superficialidade dos relacionamentos atuais, e os atributos ansiados pelos interessados. Esta demanda influenciou e muito as ideias de ambos os gêneros com o passar do tempo, levando-os a se moldarem nas exigências impostas entre si, para beneficiarem-se de comum acordo. Homens que trabalham, compram um automóvel, estudam e malham somente para qualificarem-se para as mulheres e tripudiar outros homens, mulheres que recorrem à academia, cirurgias plásticas e outros artifícios estéticos e de moda somente para humilhar outras mulheres e conquistar homens mais destacados. É ausente o desejo de melhorar o condicionamento físico para manter-se saudável, nem tampouco há o intuito de elevar o poder aquisitivo para suster-se e aos familiares. Com toda certeza temos o direito de escolher as pessoas das quais tencionamos nos envolver. Mas, ainda assim, precisamos ponderar no que será melhor para nós, fator que é possível somente quando levamos em consideração tanto os atributos físicos, quanto intelectuais, morais, altruístas e idôneos. Afinal, seremos nós que iremos usufruir, partilhar, e conviver com essas características da outra pessoa, não a sociedade em geral. Partindo do preceito de que tudo começa na escolha, vejamos quais atributos estamos priorizando, e quais atributos estamos pondo em segundo plano. E que, durante esse processo, não nos esqueçamos de nos avaliar criteriosamente, pra também fazer valer o intitulado ''merecer para poder receber''. Que possamos ser sábios e perspicazes em nossas escolhas, e resolutos no identificar, remediar e descartar das decisões que não irão em nada nos beneficiar.
Você já idealizou alguém?
Você já idealizou alguém?
Você já nutriu os sentimentos mais nobres, altruístas, idôneos e platônicos por uma pessoa em especial?
Você já se dedicou única e inteiramente a ela, tornando-a responsável até mesmo por seu desejo de viver?
Você já pôde identificar sinais comportamentais de que era correspondido, mas que estes mesmos sinais eram questionáveis por conta de outros comportamentos que também eram, por sua vez, ambíguos?
Você já se surpreendeu questionando se seria capaz de morrer por ela e deduzir que sim, morreria sem titubear?
Você já fez inúmeras juras e promessas das quais se arrepende até hoje de haver feito?
Você já a declarou como sendo sua propriedade, mesmo que isto não tenha sido acertado oficialmente entre ambos?
Você já se esforçou o máximo para agradar, e notou que todo esse esforço não foi merecedor de reconhecimento?
Você já se sentiu na obrigação de ter que fazer algo contra a aprovação, mesmo que isto não fosse da sua conta, apenas para mostrar que se importava e a apoiava?
Você já se viu corroído pelo ciúme e fazendo inúmeras suposições e especulações? Procurando pistas, procurando suspeitos, procurando jogadas e não conseguindo sequer dormir por consequência disso?
Você já foi acometido de doenças que tiveram como agravante a sua situação emocional/psíquica e desfavorável para recuperação?
Você já foi afetado em sua carreira profissional e/ou discente por não dedicar-se mais da mesma forma que antes, e passar a ocupar todo o tempo que dispunha com ela?
Você já relevou uma infinidade de humilhações, testes e crises emocionais, apaziguou escândalos, expôs-se ao ridículo, cedeu às pressões sociais e calou-se para que isto não perdurasse por mais tempo?
Você já rejeitou conselhos, se afastou, pôs em segundo plano, ou cortou relações com família, amigos e pessoas de sua confiança por intermédio dela?
Você já perdeu as contas de quantas idas e vindas essa pessoa já fez em sua vida? E que, a cada uma dessas visitas inesperadas, tudo viria à tona e voltaria por água abaixo?
Você já se recusou a crer que ela seria perfeitamente capaz de traí-lo, abandoná-lo, ou decepcioná-lo a qualquer momento?
Você já quis se retratar, se desculpar, ou se reaproximar oferecendo uma infinidade de presentes e gentilezas mesmo que não houvesse feito nada de errado?
Você já se submeteu aos tratamentos estéticos, recorreu à obtenção de bens materiais, ou fez e adquiriu quaisquer coisas que estivessem fora do seu alcance ou não o agradassem somente para reafirmar o apreço, a estima e a permanência daquela pessoa por você e com você?
Você já fez vista grossa aos impulsos e comportamentos daquela determinada pessoa que antagonizavam totalmente com os seus princípios?
Você já fez sacrifícios de deixar coisas mais importantes de lado somente para estar presente, fazer favores, prestar labores, tomar as dores, e sofrer dissabores por ela?
Você já se portou mal, tomou alguma medida drástica, cometeu algum ato impensável ou determinada atitude vergonhosa e ainda se tornou motivo de escárnio dela depois disso?
Você já se conformou, se conteve, se submeteu, se rebaixou, e finalmente chegou ao fundo do poço por causa dela? Você já cogitou a possibilidade até mesmo de desistir da sua vida? Vida esta que, anteriormente, você seria capaz de abdicar em benefício dela?
Você já considerou a possibilidade de que, o seu egoísmo obsessivo e prejudicial por ela, não era necessariamente correspondido da parte dela por você, porque na realidade era correspondido da parte dela por ela própria?
Você provavelmente espera que nesta primeira e última frase afirmativa deste texto, eu lhe dê uma solução para que você possa superar tudo isso, ou para que nunca mais se repita novamente. Porém, eu lhe pergunto:
Você já tentou começar a fazer tudo exatamente ao contrário do que já havia feito anteriormente?
Você já nutriu os sentimentos mais nobres, altruístas, idôneos e platônicos por uma pessoa em especial?
Você já se dedicou única e inteiramente a ela, tornando-a responsável até mesmo por seu desejo de viver?
Você já pôde identificar sinais comportamentais de que era correspondido, mas que estes mesmos sinais eram questionáveis por conta de outros comportamentos que também eram, por sua vez, ambíguos?
Você já se surpreendeu questionando se seria capaz de morrer por ela e deduzir que sim, morreria sem titubear?
Você já fez inúmeras juras e promessas das quais se arrepende até hoje de haver feito?
Você já a declarou como sendo sua propriedade, mesmo que isto não tenha sido acertado oficialmente entre ambos?
Você já se esforçou o máximo para agradar, e notou que todo esse esforço não foi merecedor de reconhecimento?
Você já se sentiu na obrigação de ter que fazer algo contra a aprovação, mesmo que isto não fosse da sua conta, apenas para mostrar que se importava e a apoiava?
Você já se viu corroído pelo ciúme e fazendo inúmeras suposições e especulações? Procurando pistas, procurando suspeitos, procurando jogadas e não conseguindo sequer dormir por consequência disso?
Você já foi acometido de doenças que tiveram como agravante a sua situação emocional/psíquica e desfavorável para recuperação?
Você já foi afetado em sua carreira profissional e/ou discente por não dedicar-se mais da mesma forma que antes, e passar a ocupar todo o tempo que dispunha com ela?
Você já relevou uma infinidade de humilhações, testes e crises emocionais, apaziguou escândalos, expôs-se ao ridículo, cedeu às pressões sociais e calou-se para que isto não perdurasse por mais tempo?
Você já rejeitou conselhos, se afastou, pôs em segundo plano, ou cortou relações com família, amigos e pessoas de sua confiança por intermédio dela?
Você já perdeu as contas de quantas idas e vindas essa pessoa já fez em sua vida? E que, a cada uma dessas visitas inesperadas, tudo viria à tona e voltaria por água abaixo?
Você já se recusou a crer que ela seria perfeitamente capaz de traí-lo, abandoná-lo, ou decepcioná-lo a qualquer momento?
Você já quis se retratar, se desculpar, ou se reaproximar oferecendo uma infinidade de presentes e gentilezas mesmo que não houvesse feito nada de errado?
Você já se submeteu aos tratamentos estéticos, recorreu à obtenção de bens materiais, ou fez e adquiriu quaisquer coisas que estivessem fora do seu alcance ou não o agradassem somente para reafirmar o apreço, a estima e a permanência daquela pessoa por você e com você?
Você já fez vista grossa aos impulsos e comportamentos daquela determinada pessoa que antagonizavam totalmente com os seus princípios?
Você já fez sacrifícios de deixar coisas mais importantes de lado somente para estar presente, fazer favores, prestar labores, tomar as dores, e sofrer dissabores por ela?
Você já se portou mal, tomou alguma medida drástica, cometeu algum ato impensável ou determinada atitude vergonhosa e ainda se tornou motivo de escárnio dela depois disso?
Você já se conformou, se conteve, se submeteu, se rebaixou, e finalmente chegou ao fundo do poço por causa dela? Você já cogitou a possibilidade até mesmo de desistir da sua vida? Vida esta que, anteriormente, você seria capaz de abdicar em benefício dela?
Você já considerou a possibilidade de que, o seu egoísmo obsessivo e prejudicial por ela, não era necessariamente correspondido da parte dela por você, porque na realidade era correspondido da parte dela por ela própria?
Você provavelmente espera que nesta primeira e última frase afirmativa deste texto, eu lhe dê uma solução para que você possa superar tudo isso, ou para que nunca mais se repita novamente. Porém, eu lhe pergunto:
Você já tentou começar a fazer tudo exatamente ao contrário do que já havia feito anteriormente?
você não é especial
VOCÊ NÃO É ESPECIAL
Você sentou novamente em frente ao computador, abriu o navegador e voltou a desperdiçar seu tempo.
Enquanto continua lendo o texto de um cara que não sabe absolutamente nada sobre o que escreve, não vai adicionar nada à sua cultura, ou mesmo tem alguma influência no assunto, o mundo lá fora pressiona algum outro idiota a fazer o mesmo que você.
Faz alguma ideia da importância disso? É, imaginei que não, mesmo.
A sua vida é este sonho onde a lucidez é apenas uma ilusão com a qual você alucina nos raros momentos onde para e pensa em alguma coisa que não seja um monte de porcarias aleatórias. Olhos abertos, olhos fechados, dormindo ou acordado, qual a diferença? Você não tem autonomia alguma para decidir nada. Nem mesmo o que, em quem ou como quer pensar.
Enquanto você continua lendo, numa tentativa de encontrar respostas, seus problemas permanecem lá, do mesmo jeito. Sua vida permanece cheia de crises, pendências e uma completa ausência de sentido. “Vazio” é a palavra que descreve tudo. O melhor que consegue fazer para mudar é contratar uma diarista, comprar um sofá e uns tapetes para decorar o apartamento, arranjar uma namorada e levá-la para passear no shopping.
Você não tem coragem sequer de sentir dor. Fica ansiando pela felicidade como uma criança assistindo ao Rei Leão, achando que um dia vai ser rico e substituir seu chefe. Abre o seu navegador n’um site qualquer, esperando que alguém lhe diga como, o que ou quem você deve ser, imaginando a vida de pessoas que pensa serem diferentes de alguma maneira especial. Seres fora do planeta Terra. Exemplos a seguir. É assim que uma pessoa deve realmente deve ser?
Por algum motivo, você é incapaz de admitir que seja um nada, que a sua presença na Terra significa tanto quanto um átomo de um grão de areia na praia. Não tem coragem de imaginar seu próprio caixão com o cadáver do que um dia pensaram ser você, lá dentro. A ideia de ter uma vida finita o amedronta tanto que isto o torna uma vaca dócil no abatedouro.
“Você precisa saber que vai morrer. Não ter medo. Saber que vai morrer.”
Precisa saber que o seu último dia chegará e pode ser daqui a algumas horas. Precisa saber responder, sem hesitar, o que você quer fazer com o pouco tempo que possui. Pintar, bordar, plantar uma árvore, ser uma estrela do rock, não importa. Você precisa saber.
E você espera que eu abra as portas da esperança, traga alguma receita de felicidade ou um passaporte para a ilha da fantasia, sinto muito. Não é sobre felicidade que vim falar. Não vou ensinar como ser mais forte, mais bonito, mais inteligente, ganhar mais dinheiro ou conquistar mais mulheres. Não, nada disso. Tudo o que sei é sobre perda, sofrimento, vício, desilusão, batalhas e, principalmente, derrotas.
Eu digo: pare de lamentar suas derrotas. Pare de sofrer inutilmente. Aprenda a gostar disso. Perceba o sabor do sangue na sua boca quando o soco chega. A falta de ar quando o impacto atinge o seu estômago. A poeira no rosto quando você cai de cara e não sobra mais nada. Note o brilhantismo deste momento. A oportunidade única que chega agora. Ria diante da dor, aproveite para sair do torpor e lembrar, alguma vez, o que é realmente se sentir vivo.
Você nunca será feliz. Nunca terá a vida que deseja. Nunca conseguirá gerar as condições perfeitas para atingir a realização definitiva. Se esperar por isso, a morte vai chegar e não vão subir os créditos, ninguém vai aplaudir e nenhuma luz vai acender. Nada de autógrafos e sucesso. Apenas a cova fria e escura. Parece assustador? Você não sabe onde estive.
Se eu perguntasse quem é você, provavelmente viria cheio de frases prontas. Um monte de besteiras. Músicas que gosta, filmes, lugar onde trabalha, suas mazelas nos relacionamentos, a cidade onde cresceu e as expectativas salariais dos próximos anos. Você não é nada disso.
Se me perguntassem, diria: eu sou o punho de Jack acertando a sua cara. Eu sou o câncer no coração podre de Jack. A profunda amargura que sobrou das decepções de Jack. Sou o sangue, a carne e a mente doentia de Jack. Sou tudo o que você quis ser e não teve coragem.
Eu sou Tyler Durden.
(Autor desconhecido)
nunca mude
Tudo muda, inclusive nossas batalhas. Mais cedo ou mais tarde aprendemos a lutar por algo, e não por alguém. Amor somente o próprio, ficar feliz por ter alguém ao pé de seu ouvido dizendo que te ama representa não muito mais que imaturidade. Conforte-se apenas com tuas ilusões e não tente me convencer do que pensas em uma inútil tentativa de fazer-me crer nos teus próprios ideais.
Sei quem sou, de onde vim e para onde vou, irei escutar sempre aquele bom e velho rock n' roll, sem importar-me do que gostas. E mudar por outra pessoa as características que fazem com que cada alma seja única é de longe talvez o maior erro que possamos cometer.
Assim, sem olhar para trás e sem jamais dizer adeus, vou continuar a caminhar para frente e sempre avante, aventure-se comigo se lhe parecer interessante, mas não tente jamais privar-me de mim mesmo.
plantar,colher e vice-versa
O que se planta se colhe. Evidentemente, uma expressão trivial da sabedoria popular, mas com uma infinidade de analogias que podem ser empregadas em todos os contextos da nossa vida. No desenvolvimento sócio-econômico-cultural-emocional-empírico e outras tantas vertentes de nossa realidade, o que ansiamos, o que fazemos por acontecer, o que planejamos, são o reflexo do nosso campo de visão, se ele é extenso, se é medido com as relevâncias do espaço/tempo que impomos, se será benéfico ou maléfico, e todas as outras variáveis que consideramos ao avaliar nossas investidas, enfim. Não existe um prazo de compensação na colheita específico daquilo que plantamos quando se trata de nossas vidas, mas a colheita é certa. Assim sendo, é bem simples: Aproveitemos o nosso campo de visão aguçado e extenso, analisemos a forma mais apropriada para o uso desse espaço visando alcançar o máximo proveito possível, potencializando os resultados durante o processo, aproveitando tudo, fazendo tudo o que não fora planejado de forma cautelosa, estando atentos e preparados para os demais imprevistos e intempéries, mantendo os pés no chão e arregaçando as mangas com todo o empenho para o alcance de nossos objetivos, sabendo assim, condicioná-los à nossa própria vontade, defendendo com todo o afinco, por ter sido trabalhoso, e consequentemente se tornando valoroso, e colher os frutos de uma investida de sucesso. A compensação por todo o sacrifício. O que você está plantando ultimamente?
Vale o esforço? Você considerou os prós e os contras? Os frutos foram bons? Você simplesmente jogou os frutos podres fora? Você considerou que até mesmo os frutos podres servem de adubo? Você adquiriu sua autossuficiência após aprender como plantar?
Vale o esforço? Você considerou os prós e os contras? Os frutos foram bons? Você simplesmente jogou os frutos podres fora? Você considerou que até mesmo os frutos podres servem de adubo? Você adquiriu sua autossuficiência após aprender como plantar?
honra e consciência
Se o bom senso na mente masculina entra em desuso ou é algo inexistente por parte do indivíduo pertencente ao nosso gênero, o respeito será automaticamente inoperante. Respeito esse que se expressa em ações triviais no cotidiano, e são o reflexo dos princípios e valores morais e cívicos que o individuo adquire, cultiva e possui. Logo, os princípios são pouco perceptíveis à maioria e de cunho inteiramente pessoal, fator este que transmite a ideia de que, exibi-los propositadamente já distorce todo o seu real significado.
Então, o bom senso, o respeito e os princípios são, nada mais nada menos que a consciência. Consciência remete a ideia de consideração. Consideração não se limita apenas aos outros homens que você conhece, ela se estende e se aplica a todos os indivíduos do gênero. É uma união que não foi estabelecida previamente, mas que existe universalmente e precisa ser utilizada integralmente, em qualquer ocasião.
Consciência é a análise do seu comportamento e o prever das consequências que o mesmo acarretará caso você priorize os seus interesses e ignore o dos outros. Consciência é o que impede o egoísmo de se instaurar e ocasionar os danos irreversíveis que ele causa em sua maioria. Consciência é a escolha de não prejudicar um outro homem deliberadamente para o alcance de seus objetivos. Consciência é reconhecer os valores que um outro homem possui. Consciência é notar o que há de melhor nos outros homens, espelhar-se no que há de melhor neles, e adaptar estes ideais e comportamentos em sua vida. Consciência é assumir um papel digno nas mais diversas situações que o exijam, desde não tentar se promover às custas do outro, denegrindo a sua imagem no intento de conseguir aquele cargo destacado ou aquela garota que você julga ser especial, até ao ato de cumprimentar um cidadão, em uma hipotética ocasião, que você não conheça, mas conhece a mulher que ele acompanha. Este último exemplo é uma das máximas de demonstrações de respeito mútuo entre homens e seus respectivos espaços e posição.
Consciência é demonstrar humildade e transmitir dignidade aos que são merecedores e dignos do seu respeito. Consciência é o que nós homens precisamos cultivar dentro de nós e propagar pelo mundo afora. Consciência é o que nos define. Consciência é o que nos torna homens honrados.
Força e Honra.
Então, o bom senso, o respeito e os princípios são, nada mais nada menos que a consciência. Consciência remete a ideia de consideração. Consideração não se limita apenas aos outros homens que você conhece, ela se estende e se aplica a todos os indivíduos do gênero. É uma união que não foi estabelecida previamente, mas que existe universalmente e precisa ser utilizada integralmente, em qualquer ocasião.
Consciência é a análise do seu comportamento e o prever das consequências que o mesmo acarretará caso você priorize os seus interesses e ignore o dos outros. Consciência é o que impede o egoísmo de se instaurar e ocasionar os danos irreversíveis que ele causa em sua maioria. Consciência é a escolha de não prejudicar um outro homem deliberadamente para o alcance de seus objetivos. Consciência é reconhecer os valores que um outro homem possui. Consciência é notar o que há de melhor nos outros homens, espelhar-se no que há de melhor neles, e adaptar estes ideais e comportamentos em sua vida. Consciência é assumir um papel digno nas mais diversas situações que o exijam, desde não tentar se promover às custas do outro, denegrindo a sua imagem no intento de conseguir aquele cargo destacado ou aquela garota que você julga ser especial, até ao ato de cumprimentar um cidadão, em uma hipotética ocasião, que você não conheça, mas conhece a mulher que ele acompanha. Este último exemplo é uma das máximas de demonstrações de respeito mútuo entre homens e seus respectivos espaços e posição.
Consciência é demonstrar humildade e transmitir dignidade aos que são merecedores e dignos do seu respeito. Consciência é o que nós homens precisamos cultivar dentro de nós e propagar pelo mundo afora. Consciência é o que nos define. Consciência é o que nos torna homens honrados.
Força e Honra.
apenas uma análise crítica
Permitam-me apresentar meus conceitos no que se refere aos setores menos favorecidos de nossa sociedade assustadoramente desigual e de nosso sistema repleto de lacunas.
Desde a tenra idade, o ser humano, instintivamente, tem a sua necessidade por sobrevivência. E, não importando os meios, seja por influência da mídia ou por ações/exemplos de pessoas próximas, ensino secular ou quaisquer outros recursos de aprendizagem, este indivíduo em foco compreende que ações como o homicídio e o furto, por exemplo, são práticas invariavelmente abomináveis. Independente do perímetro social do qual o indivíduo esteja inserido, do ambiente familiar ao qual ele pertença, ou de qualquer outro local em ele coabite, este mesmo indivíduo sabe que tais atos são condenáveis e passíveis de penas legais de acordo com a constituição vigente.
Evidentemente, existem pessoas que não tiveram a mesma oportunidade que outras, mas isto não justifica de forma alguma o raciocínio de não haver nenhuma outra alternativa louvável para o mesmo garantir a sua sobrevivência. Sou a favor do pensamento de que, qualquer tipo de trabalho pode perfeitamente ser considerado honesto e é o supra sumo da dignidade de um ser humano, independente das mordomias atribuídas a ele. Cabe ao indivíduo não se dar por vencido quanto às limitações que o próprio sistema impõe, e lutar para reverter a sua situação. Sempre há outra alternativa que não seja a da criminalidade, daí qualquer criatividade e perseverança são ferramentas imprescindíveis nessas situações, basta almejar com afinco e arriscar. Sem querer menosprezar ou parecer presunçoso, desejo que todos os cidadãos que estejam em uma situação mais favorecida se comparados aos descritos acima, e que direta ou indiretamente estão, assim como eles ou por meio deles, a mercê das consequências de uma sociedade cada vez mais egoísta, violenta e marginalizada, possam partilhar do pensamento de que todos nós, temos por obrigação prover meios para que essa situação mude, sem acepções ou favoritismos, meios esses que façam jus e se enquadrem ao dito provérbio de sabedoria popular: ''Não basta dar o peixe, é necessário ensinar a pescar.''
Barrigas não ficam cheias para sempre com esmolas, é preciso mais do que isso. O ato de se comover não é nem mesmo o mínimo do que você pode fazer. O problema deve ser resolvido diretamente na fonte, que vai desde as urnas eletrônicas até pequenos sacrifícios pessoais de doação de tempo, talentos e outras ações nobres provenientes da caridade que existe em nós, seres humanos, instintivamente. Ande pela cidade e olhe ao seu redor: Existe um mal que aflige a todos nós. Pessoas estão sofrendo, outras não compreendem o valor que uma vida tem, outras se acomodam em pleno caos.
O que você já fez para reverter essa situação hoje?
Desde a tenra idade, o ser humano, instintivamente, tem a sua necessidade por sobrevivência. E, não importando os meios, seja por influência da mídia ou por ações/exemplos de pessoas próximas, ensino secular ou quaisquer outros recursos de aprendizagem, este indivíduo em foco compreende que ações como o homicídio e o furto, por exemplo, são práticas invariavelmente abomináveis. Independente do perímetro social do qual o indivíduo esteja inserido, do ambiente familiar ao qual ele pertença, ou de qualquer outro local em ele coabite, este mesmo indivíduo sabe que tais atos são condenáveis e passíveis de penas legais de acordo com a constituição vigente.
Evidentemente, existem pessoas que não tiveram a mesma oportunidade que outras, mas isto não justifica de forma alguma o raciocínio de não haver nenhuma outra alternativa louvável para o mesmo garantir a sua sobrevivência. Sou a favor do pensamento de que, qualquer tipo de trabalho pode perfeitamente ser considerado honesto e é o supra sumo da dignidade de um ser humano, independente das mordomias atribuídas a ele. Cabe ao indivíduo não se dar por vencido quanto às limitações que o próprio sistema impõe, e lutar para reverter a sua situação. Sempre há outra alternativa que não seja a da criminalidade, daí qualquer criatividade e perseverança são ferramentas imprescindíveis nessas situações, basta almejar com afinco e arriscar. Sem querer menosprezar ou parecer presunçoso, desejo que todos os cidadãos que estejam em uma situação mais favorecida se comparados aos descritos acima, e que direta ou indiretamente estão, assim como eles ou por meio deles, a mercê das consequências de uma sociedade cada vez mais egoísta, violenta e marginalizada, possam partilhar do pensamento de que todos nós, temos por obrigação prover meios para que essa situação mude, sem acepções ou favoritismos, meios esses que façam jus e se enquadrem ao dito provérbio de sabedoria popular: ''Não basta dar o peixe, é necessário ensinar a pescar.''
Barrigas não ficam cheias para sempre com esmolas, é preciso mais do que isso. O ato de se comover não é nem mesmo o mínimo do que você pode fazer. O problema deve ser resolvido diretamente na fonte, que vai desde as urnas eletrônicas até pequenos sacrifícios pessoais de doação de tempo, talentos e outras ações nobres provenientes da caridade que existe em nós, seres humanos, instintivamente. Ande pela cidade e olhe ao seu redor: Existe um mal que aflige a todos nós. Pessoas estão sofrendo, outras não compreendem o valor que uma vida tem, outras se acomodam em pleno caos.
O que você já fez para reverter essa situação hoje?
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