quinta-feira, 7 de abril de 2016 |

o herói...

Quando criança eu ainda acreditava, havia esperança, meu pai me ensinava a entrar nesta dança e a dar o melhor de mim, sempre foi assim, até que tudo mudou e meu mundo acabou.
De um dia pro outro, sem dar aviso, ele se foi, meu herói. Não apenas meu! Foi para ajudar o próximo que ele morreu. Com seu coração imenso e coragem sem igual resolveu no mesmo momento enfrentar aquele mal, para salvar a senhora, entrou na frente da pistola e foi exatamente ali que ele foi embora. Mataram meu pai por esmola, não há perdão, não há justiça que o trará de volta e o sentimento de revolta me levou junto, me enterrou no mais profundo poço de indiferença, não havia mais nenhum tipo de crença!
Passei minha vida adulta lidando com esses sentimentos, ou a falta deles. É impossível convencer um homem que perdeu tudo por tão pouco que nesse mundo louco exista bondade e essa é a verdade, a absoluta, sempre haverá momentos de luta, você tem que se superar, você tem que lutar, mas sabe que nada que fizer vai ajudar, não tem como mudar, o mundo é podre e pra sobreviver tive que aprender por esse lado, fiz de mim um homem gelado, implacável e cruel, manipulador e infiel e não acredito mais, caso exista, que eu vá para o céu. Talvez eu nunca morra, serei eterno, vestindo meu terno viverei para sempre nesse inferno que chamam de mundo!
Por trás desse sorriso estampado em meu rosto existe uma pessoa que vive em profundo desgosto, esbanjo poder e luxúria pra conter a fúria que me destruíra por dentro, não lamento, não tenho piedade, conheço a maldade e a vivo a cada dia, não me importo se você tenha família, entrar em meu caminho é assinar o próprio obituário, sua tentativa é o próprio calvário, derrubo qualquer otário que me enfrente pois sou diferente, não tenho nada a perder, quem não teme a morte não pode morrer.
O tempo passa e nada muda, a impotência ainda bate em minha porta, nas manhãs frias me recordo de suas ultimas palavras pra mim: "Volto logo, Te amo!" e foi assim, ele não voltou, o amor acabou. Aquela bala fez mais que perfurar seu peito, fez muito mais efeito, e eu ainda não aceito, e minha falta de crença me fez quem eu sou, ela me criou, não há regresso, e quando olho meu reflexo ainda vejo as marcas deixadas, minha pele marcada me recorda a cada instante que para ser triunfante devo manter minha máscara erguida para tapar a ferida.
Quando olhar para um homem como eu, não tente entender, não tente ajudar, não há retorno para aqueles que decidiram partir e acabar com qualquer sentimento, as palavras vão com o vento e a bondade que tentar encontrar deve estar em outro lugar, pois ele aprendeu, o último homem bondoso de coração morreu, com um tiro a queima roupa e assim sobrou pouca esperança naquela criança que hoje em dia cresceu.

via: Bunker - acesso negado

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