quinta-feira, 7 de abril de 2016 |

a montanha

Tem dias que me levanto da cama assustado, sentindo uma forte dor no peito. Não pode ser o charuto, ele me acalma. Não pode ser o whiskey, ele abre minha mente. Não pode ser minha acompanhante, por ela nada sinto.
- O que poderá ser?
Medos, precauções, receios... Talvez. Existem algumas noites como essa que não consigo adormecer novamente. Já senti muito medo na vida, e ainda sinto. Medo de não alcançar o que quero, medo de não ser lembrado pelos meus feitos, medo de que tudo desmorone antes que eu possa fazer algo.
- Besteira pensar dessa forma?
Talvez, mas um homem prevenido vale por dois. Quando se está subindo uma montanha tudo que se pensa é chegar lá em cima. O frio da escalada, as descidas muitas vezes necessárias, é tudo uma forma de preparo. Muitas vezes caminhos íngremes e de difícil equilíbrio... É o que separa os lobos das ovelhas, os meninos dos homens, é o que separa o sucesso do fracasso.
Uma vez que se chega ao topo não é garantia permanecer lá. Alguns acham que é o fim, o ápice da vida, o nível mais alto que possa chegar. Estão errados, pobres tolos que pensam assim. Se a subida foi a difícil, se manter será ainda pior. Irá muitas vezes pestanejar, irá muitas vezes o vento te derrubar te empurrando para o precipício. Segure-se, lute, persista pra ficar lá, prove que separou o homem do menino assustado.
Talvez esse seja o meu medo, entrar em queda livre e não conseguir me reerguer, acolher o chão como uma presa acolhe seu predador. Eu gosto desse medo, apesar de me tirar o sono, me faz continuar lutando, me impulsionando. Sei que se continuar firme, o vento frio dos mais altos picos irá cada vez menos me incomodar.

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