segunda-feira, 30 de março de 2015 |

Ganância e percepção

Até que a ganância nos separe
Sou um homem de negócios, fui criado na rua e conheço uma porção de armadilhas que o mundo possuí. Mas não significa que tinha ciência de todas. Decifrar problemas nunca foi uma dificuldade, reconhecer quem blefa também não, mas a questão é que quando a paixão vem, ficamos cegos. Eu me achava um Deus, tudo caminhava ao meu favor, construí um bom negócio, o dinheiro estava entrando descontroladamente, tinha uma esposa jovem, e meu filho estava prestes a nascer. Uma família... Qual homem não deseja isso? Os meses passaram e a criança nasceu, traços maternos e a ausência da feição paterna me deixaram perplexo. Tinha outros olhos, cabeça ovulada, totalmente diferente de mim. Mas não deixei de sorrir, e por que sorri? Eu sempre esperei por um menino.
Os anos passaram e a coisa desandou. A criança crescia, e parecia cada vez menos comigo. Quantos comentários ouvi, quantos insultos das bocas alheias saiam, porém não dava ouvidos, fazia vista grossa, e mesmo com uma leve dúvida atrás da orelha eu educava aquele menino e entregava para ele a melhor condição que uma criança poderia ter. Certo dia, o inimigo que obtinha uma aliança de ouro na mão esquerda preparava o café da manhã. Pães com ovos para mim e cereais para nosso filho. Quando os pratos chegaram à mesa, meu pequeno garoto fixou os olhos no pão, não pude evitar em ceder o primeiro pedaço. Em pouco tempo a criança começou a tossir, engasgada e com o rosto violeta caiu no chão. Minha mulher ficou horrorizada, havia cianureto em meio aos ovos, uma falha tentativa em me matar. Naquela época, meus negócios estavam no auge, eu estava enriquecendo, e a gananciosa que deitava toda noite comigo, tramava meu fim. Primeiramente o golpe da barriga, mas meu, o filho não era, em seguida, tentou me envenenar, e para completar, jogou para cima de mim a culpa do homicídio. Hoje estou preso, cumprindo algo que não fiz, estou aqui, aguardando o momento de sair. Provavelmente terei que voltar, pois desejo vingança, não por todos os anos sendo enganado, por ter sido traído ou escutado as falsas declarações de uma vagabunda, mas por ter perdido o garoto, que mesmo não sendo meu, me respeitava e honrava o pai que tanto o amava. Que mesmo não sendo meu, me deu a vida, sem saber.
Tudo se baseia em negócios, não importa como o negócio é. Você está dentro sem o próprio consentimento e se não houver atenção, é derrotado sem um movimento.
Percepção é tudo.

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