sábado, 11 de abril de 2015 |

O boxeador

Cortando o mal pela raíz
Derrubei boxeadores por todo o Brooklyn. Eu fazia rapazes beijarem a lona com extrema facilidade. Na rua, o sucesso era meu. Quem ousasse se meter comigo ou com alguém do meu bando, provaria meus temidos golpes. Com dezessete anos, ganhei o apelido de "Boliche" ou "Strike", após derrubar dez homens em um bar, com grande facilidade, como se fossem pinos. Tornei-me um pugilista famoso, de temperamento turbulento e paciência curta, arrecadei temores dos homens que habitavam o lugar mais violento do mundo. Nada era pálio para mim, até que certo dia... Esmurrei o cara errado. O homem de baixa estatura, calvo e de olhos vazios, cuspiu em meu casaco após uma discussão sobre as apostas do Super Bowl. Não deixei barato, queimando por dentro, soquei o rosto do indivíduo com tamanha força, que seu maxilar deslocou. No chão, imóvel, foi minha vez de cuspir. Com a dignidade recuperada, retornei à minha casa. No outro dia, bem cedo como era costume, sai para correr, quando abri a porta que dava para rua, me deparei com um movimento estranho. Três homens, e um Opala negro de vidros escuros. Tentei fugir da situação, mas fui atingido por um bastão de beisebol. Eu havia me metido com a máfia. Quando acordei, estava jogado em um banheiro químico, sem as duas mãos, e com a pele cauterizada. Os dias de boxe acabaram.
Quando resolvi sair, encontrei um bilhete ensangüentado que dizia claramente: "Você não é mais ágil que o disparo de uma .38, e nenhum temor vale mais que o respeito".

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